Patafísica minha que partiste do verniz o vidrado

Ontem, quando ouvi em elogio à universidade do vinho, dei comigo a pensar que o mundo nunca é feito nem de preto e e nem de branco, o mundo tem cambiantes de babucha sortudo; e seguro (ups!) de mim, comentei com os meus botões: às tantas isto de escrever já deu o que tinha a dar, bem mais interessante será meter a viola no saco, dar de frosques sem espalhafato e viajar por esse mundo fora adentro. Um deles, um botão fino cmóalho, saiu-se da casca e, pimba, trauteou divertido: vamoláver, passa a escrever no jeito patafísico, nasceste com esse dom sem saberes que o tens. Escrever no jeito quê?, patafísico?, encabrestei-me. Ele, redondo que nem cordel solto e rebolando-se a sorrir, respondeu-me: tira a viola do saco e dedilha inconveniências, asneiras e afins, vais ver que passas a ver o mundo a cores tal qual bebedeira de pouco minutos, até o arco íris lá fora, que não existe, se armará ao pingarelho, cantando à desgarrada com uma nuvem vadia. Dedilho que música?, atrevi-me, mas olha que aquela coisa de escrever no jeito patafísico não me sai da cachimónia, insisti. E ele, sorrateiro: dedilha na viola um fado ao vinho, sempre pode dar para o azedo e para o mexerico; e, quanto ao significado de jeito patafísico é só continuares esta nossa conversa, tipo, escreveres que a dita universidade do vinho não era do vinho mas do Minho, e que o lapso não foi lapso, que foi inspiração etílica vazia mas não oca, que foi, nem mais e nem menos, que uma galga tirada patafísica avinhada em castanhas da índia importadas sem tarifas. Embatuquei, será?, pode um botão saber mais que eu?, quanta prosápia!, ao que este mundo destravado chegou! A resposta não se fez rogada: claro que pode, pergunta ao Baco em dia de ressaca atoleimada. Fiz de mula, deixei o Baco em paz, e pensei que o elogio ao vinho tinha jeito de bacoquice sem fingimento, e garanti que não iria desistir de escrever e que iria continuar a mastigar pequenos nacos de patafísica, a patafísica tem chocolate, sabor a mel e aguardente de figo preto, expliquei. Saiu-me melhor que a encomenda!, ironizou furibundo um outro meu botão, mas que cretino! (o cretino sou eu), enganou-nos com uma cesta de verga na cabeça, a patafísica é prima dele (dele sou eu) e nós, botões de viagem perdida, não o sabíamos, que habilidoso me saiu, tem a quem sair e aprende depressa, já o bisavô dele era do mesmo quilate. Nota de rodapé. Os meus botões (todos) na universidade do vinho são doutores da mula russa. Teimosos quanto casmurros, gémeos e comparsas, fingem de educados, dizem sim e não a rodar sem cabeça, mas sornas e dando ares de leão, à queima roupa, escoiceiam por dá cá aquela palha! Fim de nota de rodapé. E, patafísica é...

Adenda, com memória.

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