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Tornar-te-ás só quem tu sempre foste

Tornar-te-ás só quem tu sempre foste. O que te os deuses dão, dão no começo.         De uma só vez o Fado         Te dá o fado, que és um. A pouco chega pois o esforço posto Na medida da tua força nata —         A pouco, se não foste         Para mais concebido. Contenta-te com seres quem não podes Deixar de ser. Ainda te fica o vasto         Céu p'ra cobrir-te, e a terra,         Verde ou seca a seu tempo. 12-5-1921 Poemas de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. (Edição Crítica de Luiz Fagundes Duarte.) Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1994.  Adenda , com memória e memória .

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