Desafio: escrever sete notas soltas sobre um ESTUDO
2. Sente-se, e percebe-se, que se trata de um estudo com uma metodologia rigorosa, bem desenvolvido e fundamentado, aprende-se muito com ele. Óbvio que sim, sofre de um pecadilho comum, seja, é um estudo que cola bem com a certeza de que as escolas que temos não são produtos da ciência e da lógica, são produtos da história. A história não é lógica, não é dirigida para quaisquer fins planeados e não produz, necessariamente, progresso no sentido de melhores condições humanas. Mas sim, é verdade, experienciamos o presente com as lentes da memória.
3. A talhe de foice: a ideia de remontar ao início do século XIX (para procurar os sedimentos do 2º ciclo de escolaridade) até que não é descabida e tem sentido. Mais bem teria sido, no entanto, que também se tivesse explicado quando e porquê e como (raízes profundas) as escolas passaram a estar ao serviço do Estado.
4. Porém (é no porém que mora o busílis), não se vislumbram conhecimentos (na sustentação do estudo) em áreas para além da "história curricular". A propósito, uma pergunta de algibeira: não teria sido importante ter tido em conta o que a ciência do desenvolvimento evolutivo diz sobre o desenvolvimento de uma criança numa perspectiva darwiniana? Considere-se que os behavioristas, que dominaram a psicologia na primeira metade do século XX, prestaram pouca atenção à evolução, mas os psicólogos e os neurocientistas contemporâneos aceitam-na como fator essencial.
5. Afinal, as idades das crianças, destinatárias desse um outro currículo novo. situam-se entre os 6 e os 12 anos; e, nestas idades, idades onde começa a nascer a ideia do "eu e mim", as crianças precisam mais de menos escolaridade e de mais liberdade para brincar (brincar é a forma que a natureza tem de ensinar às crianças como resolver os seus próprios problemas, controlar os impulsos, ajustar as emoções, negociar as diferenças e dar-se bem com os outros como iguais). Além do mais, importa ter presente que, ao contrário do que comummente se imagina, o comportamento não é, sobretudo, uma ferramenta da mente, o comportamento é uma ferramenta de sobrevivência: o sistema nervoso é, basicamente, um dispositivo que recolhe informação sensorial sobre o mundo com o objectivo de orientar o comportamento.
6. Parece não ter sido possível sair de um labirinto relacionado com a formação inicial dos educadores e dos professores para esse novo ciclo de escolaridade: quais os novos conhecimentos que devem ser considerados nos programas de formação inicial dos educadores e dos professores?; irá ter-se em conta o que hoje se sabe sobre ciência, história e mente?, e, no caso da mente, estudar-se-á a educação emocional?, as emoções são especializações humanas tornadas possíveis pelas capacidades únicas do cérebro humano, são o centro de gravidade mental do cérebro humano, são material para narrativas e folclore e são a base da cultura, da religião, da arte, da literatura e das relações com os outros e com o mundo.
7. Pretendendo que estas notas sejam lidas como sentimentos pensativos, convém ter presente que, no tempo em vivemos, há quem pense que a linguagem da psicologia - que usa termos que denotam conceitos como desejo, esperança, amor, saudade. alegria - tem com os termos da neurociência a mesma relação de antanho (a propósito da "teoria da mente") e convém ter presente que também há quem pense que não. Finalmente, a qualidade máxima do estudo mora na divulgação do "estar presente" da experiência consciente - o conhecimento do que está a ser percepcionado - de vários e variados profissionais (muito qualificados) da educação e da aprendizagem e do ensino.
Nota, vale a pena, a título de curiosidade, consultar:
- https://www.mdpi.com/2227-7102/14/3/229
- https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8656881/
- https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25032422/
- https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3625946/
Adenda, com memória e memória e memória.
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