(Variações soltas) sobre a falta de propostas reformistas para Portugal
Foi, ouvi a minha consciência a dizer, foi tempo mui mal gasto teres estado algumas horas a ouvir balelas â roda de uma "moção de censura" ao governo em funções em Portugal, mais bem dito, foi tempo assaz mal gasto à volta de uma barulhenta "emoção (de raivas surdas) de censura" ao comportamento de alguns ministros do governo, do primeiro ministro e, especificamente, de outros dois, da ministra da justiça e do ministro da administração interna (um dos dois, a propósito de uma galera desgovernada, mentiu com certeza ou sem certeza, que se amanhem!). Mas não aconteceu também uma moção de censura à oposição?, retorqui abespinhado. Também sim, atravessou.se ela, mas foi também tempo mal gasto, confirmou-se o exercício da arte do insulto numa deprimente ópera bufa com chegas e achegas, a oposição anda a apanhar bonés e foge das eleições como o diabo da cruz, continuou, a oposição deixou de remar contra a corrente e deixa-se arrastar pela maré em lua de quarto minguante antes que a noite dos tempos lhe caia em cima. E daí?! questionei. Daí que o futuro a Deus pertence, mas não te esqueças de estar atento ao discurso, no próximo "5 de Outubro, dia da República", do nosso Presidente da República, quiçá ele se decida a vir à tona e mostre quanto é mau andar a brincar à política, a política é uma coisa séria e, eticamente, deve ser à prova de bala (eufemisticamente claro está). Sem dúvida, ripostei, mas não te parece que esta nossa conversa é a modos que um filosofar barato e que não vai a lado nenhum? Talvez sim, talvez não, trauteou, mas creio que não, a filosofia começa pelo espanto, que é a experiência do "não-saber" e do "ainda-não", repara que, pensa, as benfeitorias, que o primeiro ministro tirou da cartola para enganar os (e as) mais crédulos, são migalhas politiqueiras e revelam as armas da sorna do governo de Portugal para se defender a si próprio, assim: fazendo de conta, atirando pipocas ao vento e armando-se em avestruz sempre que lhe dá jeito. Fiquei mudo e quedo, e ela, em oráculo: está já a abalar a brisa que anuncia patos bravos a voar em bando e sinto o cheiro de passos de um coelho finório a sair da toca. Embatuquei.
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