"Tanque (s) ou Piscina" ou "Piscina e Tanque (s)"?
Meu caro admirador de mim e da minha lendária perspicácia, polímata me confesso, há um ror de tempo que não comunicamos, mas aqui estou de novo. Imagine só!, neste nosso tempo em que a educação parece só já morar na epiderme, dei ontem de caras com uma notícia, ruidosa até mais não, que por aí anda na boca dos jornais (e dos telejornais) e das redes sociais e dos cafés e das praias (também fluviais) e das piscinas até. Tudo a propósito de um "admirável ministro das neves" se ter armado ao pingarelho e se ter marimbado (se não é assim, parece, lá isso parece) para as leis (afinal ele fez ou não fez um curso de direito?) e ter mandado fazer umas obras (que segundo ele nem aquentam nem arrefentam, cá para mim arrefentam e aquentam) numas (dois montes alentejanos) suas propriedades, obras ditas para turismo de alojamento local, com recurso a expedientes em que os portugueses são useiros e vezeiros, quando dizem a amigos empreiteiros (e quejandos): "vai lá fazendo que eu vou pagando e toma lá um adiantamento mas não abuses que o dinheiro custa a ganhar"). Veja bem, diz esse tal das neves que mandou fazer um tanque (que também é uma piscina) e há por aí quem diga (ui a inveja destravada!) que é uma piscina e não um tanque, mas se ele diz que é um tanque, está certo porque uma piscina também é um (ou mais que um) tanque, ele fala que se desunha e mete os pés pelas mãos com tiradas atamancadas. Vida minha!, às tantas, oxalá, ainda larga o lugar de ministro como quem vai para a cova com o próprio pé, adiante. O que torna o caso mais bicudo (salvo seja, que eu saiba não há nem tanques bicudos e nem piscinas bicudas), é que (na imagem acima) parecem ser dois tanques - um tanque grande e um tanque pequeno -, e aí é que porca torce o rabo, porque se assim é, tratar-se-ia ou de uma piscina com dois tanques ou de dois tanques, um deles uma piscina com um tanque de escoamento, ou algo similar, que trapalhada!, que confusão! Acudam!, Santa Odemira (se existe) me valha!, acabo de ouvir ((sintoma alarmante da "liberdade criativa" do poder local democrático (porque falha o poder local, sabe?) e resquícios de chapéu na mão)) na televisão, a supina asneira do Presidente da Câmara de Odemira - Odemira é o maior concelho de Portugal e é nele que os ditos montes se localizam - dizer que "não haver nos "Serviços" um pedido de licenciamento de obra, não significa que o mesmo não tenha sido feito". Que tirada-proeza notável! Arrotei de fastio,, aposto que a caldeirada que comi ao almoço é que é a responsável por este meu mal estar, só pode ser, que azia! Vamos lá conversar, venha daí comigo, vamos reler o "Poema de Parménides", onde a relação entre a verdade e a opinião é enunciada. Como é que é?!, diz que não vale a pena, que nos dias que correm a distinção entre verdade e opinião está apagada? Alto aí e para o baile, a verdade (aleteia em grego) é firme como uma rocha, não treme como um pudim de ovos, é a verdade que nos proporciona um lugar a partir do qual podemos ler a opinião (doxa em grego). Como diz? Tudo bem, concordo consigo, a verdade pode ser definida através das possibilidades das opiniões que, no caso vertente, já são muitas, mais que muitas opiniões. Não me diga e nem me conte, nem pense, não alinho nessa sua ideia de recorrer à inteligência artificial para conhecer a verdade, era só que faltava, então ainda tem dúvidas de que a inteligência artificial cria a verdade que lhe dá mais jeito? Estou a ler o seu pensamento e concordo, seja, se o tal "admirável ministro das neves" não diz a verdade e se está a mentir, queira Deus que tenha um ataque de sensatez e se demita, fazia um favor a si próprio e à verdade, e se tiver que se arranhar que se arranhe, chama-se a isso tê-los, adiante, que esta também uma forma de fechar um diálogo. Agora, menos agoniada, tendo desabafado sem impropérios e nem asneiras de cara tapada, vou (re)ler, em silêncio de antigamente e em memórias de si e de mim, "A Morte da Competência" de Thomas M. Nichols. Cuide de si e vá dando notícias fresquinhas, são as únicas que refrescam a mente e que dão gás à vontade de escrever. Deixo-lhe ainda uma frase de Locke: "ninguém deverá prejudicar outro na sua vida, saúde, liberdade ou bens". Frase belíssima,, pois não é? Dá para pensar, pois não dá?
Adenda, com memória e memória e memória.

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