Acerca de como o cérebro percebe a beleza
(msg recebida)
Cá estou eu de novo com uma das minhas preocupações favoritas, seja ela, perorar à roda da beleza, sou assim, que quer, que se há.de fazer!, umas vezes penso assim, outras vezes penso assado, mas sempre e sempre com alguma informação recente a tiracolo antes de botar faladura sobre a beleza na tela da vida. Desta vez, tropecei numa ideia vadia - a consciência é fundamental como o tempo e o espaço -, num dia de chuva moinha, no dia de início da Primavera, e desatei a ler este estudo no alfoz de um rio da minha memória, há um ror de tempo que sei que ouvir o silêncio ajuda imenso, e a beleza da alma daquele rio sempre me seduziu. Parênteses, quero eu bem lá saber se a minha escrita tem jeitos da escrita corrida do Saramago, escrevo sem andarilho e se os pontos e as vírgulas se atrasam, é coisa que não me atrapalha o pensamento, adiante e parênteses. Claro que sei, então não sei que sim, duas pessoas podem observar a mesma imagem e reagir de forma mui distinta: para uma, a imagem é atrativa e para outra é indiferente. Segure.se nas canetas, vamos lá ao que interessa. A conclusão que tirei da leitura é fácil de dizer: o nosso gosto estético é uma combinação de cultura, experiência e biologia. Isso, isso mesmo, filósofos e cientistas e artistas, anos a fio, digo, séculos a fio, debateram "toma lá dá cá" se a beleza é uma construção cultural, se é uma questão de gostos individuais ou se é uma combinação de ambas. Foi assim e ponto final, só que a neurociência vai mostrando que as nossas preferências estéticas podem ter uma base biológica surpreendentemente pragmática. Imagine só, pense comigo: o cérebro humano é um dos órgãos mais exigentes do corpo, representa uma pequena parte do peso corporal e é um glutão daqueles, consome à volta de uma quinta parte da energia disponível. Mas mais, dentro desse consumo de energia a visão ocupa o lugar central, para processar o que vemos é necessário gastar quase metade do consumo energético cerebral. Adiante, no estudo se prova que as imagens mais fáceis de processar para o cérebro tendem a ser mais belas. Como diz?, céus!, ena!, estou a seguir o seu pensamento, diz que, se assim for, a modos que o sistema visual utiliza uma espécie de atalho emocional, ou seja, quando uma determinada imagem (ou cena) aporta informação relevante sem exigir grande esforço metabólico, o cérebro olha-a como agradável? Santa Maria!, nem mais e nem menos, bingo!, foi para por à prova essa ideia, que a equipa que desenvolveu o estudo, combinou modelos de inteligência artificial com dados reais da percepção humana, com o objectivo de comprovar se a expressão agradável à vista tem um correlato físico mensurável em termos de energia cerebral. Mas não, descanse, a beleza não fica reduzida a uma fórmula matemática, não, não fica. Naquele estudo conclui-se, isso sim e como atrás lhe disse, que o nosso gosto estético combina cultura, experiência e biologia. Pergunta-me se - no cérebro ardiloso e ávido de entender o mundo - é no equilíbrio entre o interesse e o baixo custo energético, neste delicado ponto médio, neste ponto médio onde a informação flui sem sobrecarregar o sistema e onde o menos é mais, pergunta-me se é aí que mora a explicação para o facto de algo nos parecer belo? Acertou!, é mesmo aí. Conserve o sorriso com que me perguntou, gosto, e não sei se lhe diga ou não, digo, digo-lhe assim: o estudo também sorriu quando eu lhe disse que ia escrever esta mensagem, Não é possível?!, um estudo não pode sorrir? Ora essa!, olhe que sim, olhe que sim!, o estudo não só sorriu quanto agradeceu o meu cuidado e a minha imaginação, no jeito de um pé divino na porta do pensamento, óbvio!.

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