Dana Gioia - "Why Beauty Matters" (Talk on art, beauty, and spirituality)

Pensar a arte, a beleza, e a espiritualidade, em tempo atribulado como é o presente tempo histórico em que vivemos, creio, é também uma forma de "ser contemporâneo", na exata medida daquilo que G, Agamben entende por ser contemporâneo: "ser contemporâneo é responder ao apelo que a escuridão da época faz para nós". Sabe-se com certeza científica que, no Universo em expansão, o espaço que separa os seres humanos das galáxias mais distantes está crescendo a uma velocidade tal, que a luz das suas estrelas nunca poderia chegar até nós humanos. Cito ainda Agamben: "Perceber, no meio da escuridão, essa luz que nos tenta atingir, mas não pode - isso é o que significa ser contemporâneo". Assim se retira que o presente seja a coisa mais difícil para se viver, porque uma origem não se limita ao passado: é um turbilhão, de acordo com a mui fina imagem de Walter Benjamin. Uma origem é um abismo no presente, e para esse abismo somos atraídos cada e todos os dias: o presente é, por excelência, a única coisa que resta não vivida. Pensar a arte, a beleza, e a espiritualidade é uma forma litúrgica de pensar o presente, é uma forma inteligente de pensar a existência.

Aqui, com memória e memória.

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