Boécio entre as rajadas do euro e as ameaças das vagas do oceano


"Se és prudente e desejas

Estabelecer-te duradouramente em algum lugar;

Se estás decidido a não te dobrar

Às rajadas ensurdecedoras

Do Euro, e a desprezar as ameaças

Das vagas do Oceano, 

Não construas tua casa

Em cimos montanhosos

Ou nas areias instáveis. 

Lá em cima, o Austro impetuoso

Se manifesta com todas as suas forças;

Embaixo, as areias resvalam

E não fornecem alicerce seguro. 

Foge dos perigos dissimulados

Em locais deslumbrantes. 

Não te esqueças de construir tua casa

Sobre a pedra sólida. 

O vento poderá soprar a qualquer hora

E agitar a superfície do mar;

Feliz de estar ao abrigo 

Dentro de tuas quatro paredes, 

Tu usufruirás de dias amenos 

E zombarás da fúria dos climas."


msg recebida

Depois de ler este poeminha de Boécio - retirado do livro que ele escreveu na prisão (mil e quinhentos anos é tão só um pózinho de tempo, pois não é?) - ficará com a sua mente mais iluminada sobre o que significa "ser contemporâneo". Então não é que se aplica, sem tirar e nem por, ao sinal/mensagem/lição que a tempestade Kristin deu a Portugal há uns poucos dias passados. Os versos "Entre as rajadas ensurdecedoras do Euro", e "as ameaças Das vagas do Oceano" do delicioso poeminha referem-se, metaforicamente, a Portugal de hoje? Não!, pode lá ser!, às tantas é! Sim, sei, sei mui bem que, na mitologia grega, Euro é o deus do vento do Leste e Oceano é o deus das águas correntes, o deus que era um rio cósmico que circundava o mundo. Mas, meu caro, vá por aí fora e pergunte o que significam, para a vida em Portugal, o euro e o oceano nos dias que correm. Diz-me que um e outro continuam deuses com com vidas novas? Óbvio! Se a filosofia é a consolação que resta? Bela pergunta!, não sei, oiça aqui quem foi Boécio. Nunca tinha ouvido falar na "Consolação da Filosofia" e nem em Boécio? Céus!, acudam!

Adenda, com memória.

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