O cérebro escuta os pulmões antes de (criando) se unir ao mundo





















Medindo forças com a pandemia Covid-19, há já mais que um ano passado, tão pouco se tem falado da importância e do poder curativo da respiração (e da inspiração e da suspiração!). Acontece que o coronavírus SARS-CoV-2 ataca os pulmões e pode causar danos importantes, e o facto de os seres humanos respirarem sem interrupções significativas, desde o nascimento até à morte, deve considerar-se fundamental: os seres humanos respiram sete milhões de vezes por ano, antes de falar já respiram. E quando mudam o padrão de respiração, mudam a forma como pensam e sentem, e mudam a forma como se ligam consigo próprios e com os outros. Diz Octavio Paz, num ensaio famoso (Poesia y respiración) aqui contido, que: "existe uma relação indubitável entre a respiração e o verso: todo o facto espiritual é também físico" e ainda: "respirar bem é uma maneira de nos unirmos ao mundo e participar no ritmo universal; recitar versos é como dançar com o movimento geral do nosso corpo e da natureza". O pensamento de Merleau-Ponty não engana: "falamos de inspiração e o termo deve tomar-se literalmente; realmente existe inspiração e expiração do Ser". 

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