Para quando o renascimento dos rituais?

 Fragmento de la portada del libro «La desaparición de los rituales», del filósofo Byung-Chul Han, publicado por Herder.

(mensagem recebida)

Inspirei-me, variações goldberguianas em fundo musical (adoro as repetições morosas, têm um não sei quê de ritual), inspirei-me, dizia eu, na sua ideia de "texto-fragmento", gosto dela. E assim aconteceu: rapinei sem aviso um fragmento (na imagem acima) da capa de um livro "La desaparición de los rituales" do filósofo Byung-Chul Han para iniciar a escrita desta minha mensagem de hoje. Não me diga, também pensa que se trata de uma imagem que tudo tem a ver comigo, com os meus rituais mais que perfeitos, com a minha assaz rica vida espiritual? Oh, vida, que mais me irá acontecer? Adiante. De carreirinha, folheei o livro, página após página, e quase tudo entendi. Onde me perdi, rimou, ups, perdi-me na ideia de que casa está para o espaço como o ritual está para o tempo. Uma e outro são moradas do ser num mundo-jogo de xadrez com ou sem bulício entre a vida e a morte, pois não são? O quê? Céus, diz que esta minha mensagem é um ritual (alternativo) onde moro e me demoro, para sem fingimentos colmatar (e embalar) a distância, assim a modos que como se a memória e o passado se acendessem sempre que escrevo para guardar os meus dias e o meu matreiro sorriso inconfundível. Pois sim, gosto, gosto e gosto, mas não me conformo, almejo muito mais. Adiante, pense agora comigo. Se fizer um pequenino esforço de pensamento, perceberá - lho disse já mais que uma vez - o facto de eu entender muito bem o que se está a passar com esta maldita crise da Covid.19: para além das mortes e das doenças acabou, quase totalmente, com os rituais. Seja. A distância social destrói a proximidade física e criou uma sociedade de quarentena em que se perde a experiência comunitária, a comunicação digital não nos faz felizes, esse de tal corona vírus faz das pessoas ilhas desertas. Claro que sim, verdade, o desaparecimento dos rituais já vinha acontecendo, mas a machadada final foi-lhe dada pelo maldito vírus, ele é que consuma o desaparecimento dos rituais. Sempre lhe digo, no entanto, que mal esta desgraçada pandemia dê à sola, não duvide, o renascimento dos rituais acontecerá imperativamente, são favas contadas, eu o pressinto, eu o sei, eu o digo.

Notinha 1Ora leia.

Notinha 2 - Era uma vez um lar - "Reguengos pode  servir como bode expiatório mas está longe de ser caso único". Pois, claro!

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