O processo criativo

Fazer o novo com o conhecido entranha-se, cultiva-se e pratica-se.

Do ponto de vista cognitivo, o acto criativo segue um percurso progressivo que consiste em definir a questão principal, observar o contexto para encontrar semelhanças com outros domínios, organizar elementos disjuntos e imaginar soluções que possam resolver a questão colocada e escolher uma das soluções para a tentar atingir. Transpor esta lógica, utilizada para perceber a complexidade dos factores que compõem o acto criativo do ponto de vista cognitivo, permite falar dos processos emocionais, em si próprios cognitivos, dos saberes já adquiridos, das inteligências múltiplas, das crenças, do imaginário, do processo criativo.
mais importante etapa do processo criativo é uma fase de imersão no vivido, no aqui e agora; esta fase é sentida como misteriosa porque se desenvolve na consciência individual, lugar onde as coisas parecem escapar à razão e não pertencem a quem as criou. Por esta razão, na Grécia antiga, os artistas pensavam que a sua inspiração lhes era exterior e divina, acreditando que a sua criatividade se devia à intervenção de “daimons”, ou seja, à intervenção de espíritos desincarnados que os acompanhavam: a criação artística era entendida como êxtase, palavra grega que significa estar ao lado de alguém. Só a partir do Renascimento, quando o indivíduo passou a ter um lugar central no processo criativo, é que o artista se torna referência e mediador da sua obra e se passou a afirmar que um artista era um génio e não que ele tinha o dom de um génio.
Às vezes o artista tenta fugir à lógica das etapas cognitivas do processo criativo mas ela impõe-se: encontrada a inspiração, passa a desenvolver-se um longo e fastidioso trabalho de organização e de resolução de puzzles; as estruturas emergem mas nem tudo é realizável e nem tudo vale a pena ser tentado, é preciso seleccionar e escolher. Só, a partir deste momento, pode iniciar-se um longo trabalho de elaboração de uma obra, durante o qual se torna necessário experimentar, fazer, refazer, recomeçar, reavaliar.

Porque fazer o novo com o conhecido se entranha, se cultiva e se pratica...em qualquer domínio da criação.

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