A propósito de "Um Relatório para uma Academia", de Franz Kafka
Ora aí está, soprou-me a minha consciência crítica, nem mais e nem menos, continuou, hoje é um dia em que me apetece destapar o testo à panela, e aposto, singelo contra dobrado, que não sabes porquê. Por acaso até sei, respondi de supetão, mas tudo bem, fala, sou todo ouvidos, E ela: bem, se assim é, já ouviste falar no Pedro Vermelho*? , sabes quem ele foi?, existiu mesmo? Sorri de mansinho, e disparei: temos que andar aí mais de uns cem anos para trás no tempo, verdade? Óbvio!, saíste-me melhor que a encomenda, cheira-me que, pode lá ser!, conheces este conto do excelente Franz Kafka, surpreendeste-me, gosto, mas cinco anos para (ele) de macaco chegar a ser humano é muito pouco tempo e é muita areia para a tua camioneta, pois não é? Nem lhe vou responder, que desaforo!, confidenciei com os meus botões, mas, contrariando-me, arrisquei: será que o queres dizer é que o que importa é encontrar uma saída airosa do desgraçado tempo em que vivemos em vez de perorar, por dá cá aquela palha, sobre o que pode ser o futuro próximo? Ena!, que espertinho!, lê o conto, e depois pensa em mim que, esmeralda de nascença, sei bem que nunca tinhas ouvido falar em Pedro Vermelho e que só te estás a armar ao pingarelho (rimou, ups!). Que guicha!, exclamei.
*Pedro Vermelho nasceu macaco, mas conseguiu se transformar em ser humano. Depois de 5 anos de treino, alcançou a cultura de um cidadão europeu qualquer. Pedro Vermelho trabalha num circo, e acha divertido que o público pague para ver os malabaristas fazerem, no trapézio, aquilo que qualquer macaco faz nas árvores, e sem cobrar nada.
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