Sensacional a invenção da partitura, verdade?
(Mensagem recebida)
Depois de um jantar leve, loiça lavada (as fadas, meu caro, também lavam
a loiça), as janelas entreabertas e a casa na penumbra (senão, as melgas dão
conta de mim), aqui estou eu, a escrever, em rabiscos soltos, no meu caderninho argolado... São tão engraçados os
bonecos das emoções, a carinha azul triste é a mais bonita, tem uns óculos de massa iguaizinhos aos meus, tinha que ser. É uma cara triste mas bonita, fofa. Fofa, pois!
Representam cinco emoções, mas as emoções não se resumem àquelas cinco... Devem
ter sido escolhidas com base nas expressões do rosto humano. Os psis consideram que as expressões do rosto são o
reflexo de alterações psicológicas e de pensamentos, que aparecem de forma
espontânea como resultado de sensações especificas. Aprendi, em menina, nas
aulas de psicologia... A parte gira deste discurso é que as cinco emoções são
tão universais que até os macaquinhos as têm! Possivelmente, os cientistas (os
neurocientistas, que fique claro) identificaram a alegria, a tristeza, a ira, o
medo e o asco no mapa do cérebro (já viu imagens fantásticas da actividade
cerebral?), porque ainda estão sugestionados (será?) pelas lições empíricas dos
psicólogos behavioristas. Pense comigo, meu caro, não serão identificáveis no
cérebro, através das ressonâncias magnéticas, outras emoções para além daquelas
cinco? Ou todas as outras são meras derivações ou nuances destas? Diga-me, se
souber. Há um pequeno grande pormenor que me chamou a atenção: são todas
negativas excepto uma. A alegria, veja-se só, que paradoxo, é uma verdadeira
desgraçada, pois tem de acalentar todas as outras! Que forte tem de ser a
alegria para o conseguir. Bem, já estou a entrar em campos que não são os meus.
Não será aconselhável pôr foice em seara alheia, não acha? Fica a
pergunta. Deixo-lhe, por agora, esta comunicação
do maestro Michael Tilson que explica a forma como a música exprime (tão bem e tão claro) as
emoções ao longo do tempo de vida da humanidade... Sensacional a invenção da partitura, verdade?

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