Cinco emoções: asco, alegria, ira, tristeza, medo


(Mensagem recebida)
Nem sei se lhe diga e nem sei se lhe conte, meu caro, é que não sei mesmo... Vamos ao que interessa. Atente na imagem e tente (vá lá faça um esforço, a iconografia não é o seu forte), tente imaginar o enredo. Não sabe. Tudo bem, aceito dar-lhe uma dica, pois já li na sua mente que está às aranhas e não quer dar o braço a torcer, Santo Deus, quanta ignorância, seja: aí a tem. Ainda não entendeu?! Vida a minha! Adiante, sobra tudo para mim, sempre para mim. Trata-se de um filme que mostra de forma eloquente que cinco emoções são a bússola do nosso comportamento. Fica ao seu critério, meu caro, procurar (ou não) saber mais sobre este filme da Pixar. Agora olhe para a imagem e atente nas expressões (da esquerda para a direita) dos personagens que representam as cinco emoções: asco, alegria, ira, tristeza e medo. São personagens, todos muito expressivos, um mimo; mas a expressão de asco foi furtada de mim, é mesmo minha, tal qual: é assim a minha expressão quando não suporto alguns enfatuados maduros hipócritas (até a minha mente se despovoa) que lambem os pés aos fabricantes de trafulhices. Mas não é que não sei mesmo quem (e quando) copiou a minha expressão de asco a essa gentinha sem nível?!... Se estou convencida que as emoções (e não a razão e o livre arbítrio) é que estão na base de tudo o que somos? Claro que não estou e nem deixo de estar: havemos de partir muita pedra sobre o assunto, com um planalto gelado à mão de semear e de entornar, prometo. Que as emoções estão na base de tudo? Sim, essa foi a tese do autor do filme; mas como dizem "nuestros hermanos": "el director se ha metido num berenjenal considerable". Não se amofine, meu caro. Berenjenal é uma plantação de berenjenas e as berenjenas são plantas com espinhos. Fica para um outro dia falar-lhe mais em pormenor sobre as emoções e a mente humana. Sempre lhe deixo, no entanto, três notinhas de rodapé. A primeira, para lhe transcrever uma quadra de origem leonesa a propósito do carácter espinhoso das berenjenas: "El pimiento ha de ser verde/los tomates colorados/la berenjena espinosa/y los amores callados". A segunda, sugiro que, logo que possa, passe os olhos por este livro. A terceira, para lhe dizer que quando vier ver-me, vai sorrir e rir com a minha expressão de alegria (bem mais conseguida que a expressão de alegria na imagem), garanto-lhe: vou recebê-lo de braços abertos, de olhos bugalhados, de franja ao vento e com um divertido "oh, oh, oh, meu caro!". Ah, quase me esquecia de lhe dizer: os meus amores perfeitos estão lindos, as minhas roseiras estão floridas e o jasmim vai entrançando os braços para as alcançar...

Adenda (nova mensagem recebida)
Estou ainda, meu caro, a sorrir com a sua cara de espanto… Lembrar-me eu de falar daqueles bonecos animados (sou assim que se há-de fazer!); são uma novidade num filme recente que anda pelos cinemas! Quem os vê no cinema não percebe nada do que significam, eu acho… Que são as emoções que comandam a nossa vida, ai não duvido, pois se eu sou toda emoção (emoções, digo), sou melhor do que aqueles bonecos. Se me conhecessem (ui, ui) faziam um filme sobre mim. Havia de ser bonito! Agora a sério: é interessantíssimo (ponha mais interessante) que um filme animado reflicta um pensamento científico. As coisas vão mudar. Nos próximos anos as novas da ciência entrarão (já cá estão) de forma consciente nas nossas vidas (até na minha que sou fada). Mas onde é que eu fui buscar a ideia de que a boneca verde tem mesmo a minha cara de asco?! E o nariz torcido, mesmo a dizer "isto não me cheira!"? Palavra de honra que não percebo (estou a ironizar, caríssimo, pois claro que estou). Compreender como funcionamos (e quem somos) é o verdadeiro desafio da vida, olálá se é, ah pois é! Nada fácil, meu caro, nada fácil... Se são as emoções que ditam a decisão e se eu não conseguir falar consigo, o mais certo é eu passar da alegria para a tristeza e para o medo num ápice, oh vida a minha!

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