É o tempo do ano lectivo: cuidar o futuro não é descuidar o presente
Vivemos os dias do
início de mais um ano lectivo e as notícias prendem-se, invariável e essencialmente, com
os professores, com as escolas, com os custos do material escolar e pouco, quase nada, se fala dos alunos (e também dos seus pais). Demos, aqui e agora, uma
particular atenção à importância do início da escolaridade para o crescimento e para o desenvolvimento saudável das crianças. Para as crianças, o primeiro ano
de escolaridade (bem sei que a maior parte delas já frequentou a educação
pré-escolar e que já adquiriu algumas rotinas e saberes), tem algo de irreversibilidade: não vão poder repetir a entrada, se algo correr mal nesse seu início de
um longo percurso educativo (no mínimo, uma escolaridade obrigatória de doze anos). Se (como todos sabemos) nem todas as crianças
estão nas mesmas condições ((características individuais (até especiais ou específicas), familiares e de
ambiente e experiência)) quando chegam ao primeiro ano de escolaridade, então é necessário ter em conta
essas diferenças e organizar e preparar o ano lectivo com atenção..., para que as crianças possam, primeiro, aprender a
escola (os amigos, os gestos, as rotinas, a confiança, a adaptação, a liberdade, o tempo, o espaço,
as oportunidades, as expectativas), para, só depois, aprenderem as coisas da escola sem se sentirem sós e perdidas na vida. Criem-se as condições para que elas cresçam devagar (devagarinho) e sem atabalhoadas pressas. As crianças (agora as alunas e os alunos) vão ter muito tempo para
conhecerem muitas coisas e para adquirem muitas competências (e competências e competências) e muitos saberes e muitas outras "coisas e loisas"...; no curto tempo, irão sentir a dor branda do crescer (que algumas
vezes se mantém pela vida fora). E, só com tempo e no tempo, irão perceber a confusão que, por vezes, ia na cabeça
dos adultos que lhes impingiram muitas horas diárias de trabalho e que as obrigaram e ensinaram a desaprender de brincar e rir: brincar e
rir que foi a coisa mais séria que fizeram até entrar na escola.

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