Mesa-redonda
O colóquio debatia o
problema da educação da criança, dos gostos da criança, do livro para a criança.
O senhor professor explicou que a criança era um ser sensível, um quadro
maravilhoso por colorir, uma corola a desabrochar: para o senhor professor a criança era o fulcro, o motivo, a razão, o
tudo. E quando chegou a vez de dar a palavra ao senhor editor, o senhor
editor disse que para a criança, o livro deixava de ser um negócio para ser uma
dádiva, um acto de amor; cada exemplar saído das suas máquinas não era um bloco
de papel impresso, mas (outra vez?) uma flor, uma gema, um diamante: para o senhor editor a criança era uma
maravilhosa página por imprimir, falou até do arco-íris. Falou a poetisa, a
doce e terna escritora, com os olhos verdes de brancas lágrimas leu o poema que
ali mesmo, na mesa, fizera à criança: ó
anjo azul ó livre asa…
(Aqui, a porta da sala
guinchou e um rostinho de menino assomou, curioso. O presidente da mesa bateu
com o martelo e gritou para o porteiro: ponha-me
esse gaiato lá fora!).
Eduardo Olímpio

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