PERCURSOS ESCOLARES DE DESCENDENTES DE IMIGRANTES DE ORIGEM CABO-VERDIANA EM LISBOA E ROTERDÃO
“A presente dissertação propõe-se evidenciar o percurso dos estudantes cabo-verdianos em Lisboa e em Roterdão, a sua inserção no país de acolhimento, os meios de combate ao absentismo e insucesso escolar, as diferenças do sistema de ensino nos dois países, os apoios e as saídas profissionais. A pesquisa empírica que sustenta a dissertação toma como objecto de estudo social os estudantes do ensino técnico-profissional de nível 2 no Colégio Pina Manique e na Nieuw-Rotterdam School e respectivos encarregados de educação. Estes dois elementos foram analisados numa perspectiva comparativa, procedendo-se à sua contextualização educacional e social. Dos resultados da investigação ressaltam os processos de reconstrução identitária e de dupla pertença tal como a relevância da interacção com a origem.”
Sugere-se uma leitura cuidada da dissertação de 2006 (publicada em Dezembro de 2008) de ELSA CASIMIRO.
O capítulo IV (A educação na Casa Pia de Lisboa, pp. 86 a 114) merece (depois de também lidas com atenção as páginas 64 a 69) um destaque especial e por quatro razões:
- a primeira razão porque se trata de um capítulo documentado e globalmente honesto (ressalve-se que a maior parte dos documentos que sustentam e apresentam, nesta dissertação, os dados sobre a Casa Pia de Lisboa, eram, regularmente e há vários anos, produzidos pelos serviços da Casa Pia de Lisboa e são reconhecidos como válidos pela autora quando os utiliza; a segunda razão porque dá uma visão quase correcta (a amostra é específica e pequena) da actividade do Colégio de Pina Manique (especificamente) e que corresponde à realidade da actividade social, educativa e de ensino (devidamente documentada (mapas de 2002, 2003 e 2004) ainda que com algumas incorrecções e afirmações extrapoladas (aceitáveis mas cientificamente discutíveis) no que se refere ao internato e à oferta de ensino) que se desenvolvia (desde 1985) nos diversos Colégios que integravam a Casa Pia de Lisboa; a terceira razão porque mostra que a Casa Pia de Lisboa respondia a questões emergentes da sociedade de que é um exemplo a citação"A maioria dos alunos da Casa Pia de Lisboa que fazem parte do internato, são originários de minorias étnicas, sendo que os cabo-verdianos estão em maioria"; a quarta razão porque atesta à saciedade quão intencional (no final do ano de 2002 e nos anos seguintes) foi amesquinhar a Casa Pia de Lisboa e quão intencional foi foi fazer desta Instituição o "bode expiatório" da sociedade portuguesa, confundindo o que não podia nem devia ser confundido.
Acresce que para alguns desses "senhores e senhoras", esta dissertação (de acesso fácil) devia ser de leitura obrigatória: talvez evitassem fazer, daqui para a frente, algumas especulações e afirmações ambíguas, gratuitas e mal intencionadas...Ainda que as dúvidas (quanto a isso) continuem a ser legítimas, porque esses "senhores e senhoras" pensam mal porque não pensam. Como diria Gaston Bachelard!

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