O Ano Novo Vietnamita: o Tet
"Acabei de me inscrever no blogue do Luís e, com todo o gosto, acedo ao seu pedido de colocar um post sobre o Ano Novo Vietnamita: o Tet. Isto a propósito do facto de me encontrar, há já há alguns meses por estas paragens, a “preguiçar os rendimentos”…
Tal como na China – origem das principais marcas culturais deste povo – é o calendário lunar que permanece como referência. O Tet, que significa Festa da Primavera, é celebrado entre 1º e o 7º dia do ano lunar, isto é, entre a última semana de Janeiro e a terceira de Fevereiro quando se inicia a fase de Lua Nova. Este ano será a 23 de Janeiro do nosso calendário. Os Vietnamitas associam, quase integralmente, cada ano a um dado animal da Astrologia Chinesa em ciclos de 12 anos. O ano que agora termina é o Ano do Gato (o único que se diferencia dos Chineses que é o do Coelho). O próximo será o do Dragão.
O Tet é, de longe, a mais popular e enraizada festa celebrada pelos Vietnamitas. Aos 3 dias de feriados nacionais uma boa parte dos Vietnamitas junta alguns dias de férias a fim de se poderem deslocar para junto da família. Para termos uma ideia da ordem de importância popular desta festa, comparemo-la, por exemplo, com as nossas datas do Natal, Ano Novo e Fieis Defuntos/Todos os Santos concentrados. Segundo a tradição, é apenas no 1º dia do ano que as almas dos mortos regressam à terra e, obrigatoriamente, sob pena de maus presságios e desonra para os faltosos, os familiares devem estar reunidos diante do altar familiar dos ancestrais, para os acolher. No momento da passagem do ano é também usual, mesmo profundamente popular, o foguetório. Tanto e tão pouco que causava, anualmente, quase tantos mortos e feridos como o Carnaval do Rio. Foi totalmente proibido desde 1995…
O Tet é, de longe, a mais popular e enraizada festa celebrada pelos Vietnamitas. Aos 3 dias de feriados nacionais uma boa parte dos Vietnamitas junta alguns dias de férias a fim de se poderem deslocar para junto da família. Para termos uma ideia da ordem de importância popular desta festa, comparemo-la, por exemplo, com as nossas datas do Natal, Ano Novo e Fieis Defuntos/Todos os Santos concentrados. Segundo a tradição, é apenas no 1º dia do ano que as almas dos mortos regressam à terra e, obrigatoriamente, sob pena de maus presságios e desonra para os faltosos, os familiares devem estar reunidos diante do altar familiar dos ancestrais, para os acolher. No momento da passagem do ano é também usual, mesmo profundamente popular, o foguetório. Tanto e tão pouco que causava, anualmente, quase tantos mortos e feridos como o Carnaval do Rio. Foi totalmente proibido desde 1995…
Dizem-me que na cidade capital desta Ilha irá haver fogo-de-artifício de 22 para 23…Cá estarei para confirmar ou infirmar. O significado atribuído ao foguetório é de manifestação de alegria pela chegada das boas almas dos antepassados e o ribombar dos petardos será para afugentar os maus espíritos. Por este período, antes e durante o Tet, a evocação dos espíritos dos ancestrais, ocorre não apenas no meio familiar, mas também nos pagodes, onde se desenrolam cerimónias e visitas das famílias. Os Vietnamitas atribuem ao 1º dia do Tet uma importância altíssima: tudo o que se faça e diga nesse dia influenciará o resto do ano. É por isso, por exemplo, que se preocupam para que a 1ª pessoa a franquear a porta de casa seja alguém, aos olhos da família, de mais “estatuto”, mais afortunada em termos económicos ou de maior posição social, a fim de trazer prosperidade e felicidade para o ano. Neste dia, diz-se (será verdade?), são proibidas as zangas, as juras, partir a loiça…Também, os velhos não deverão fazer qualquer trabalho manual pois isso augura dor e suor para todo o ano.
Ontem, dia 19, passei o dia na cidade, Duong Dong. Só visto. Que azáfama! Que trânsito! Quanto fervilhar de pessoas…. Mais uma vez sou conduzido para uma associação de imagens com o que se passa no nosso período de Natal e Ano Novo, acrescido do dia de Defuntos. Que vejo? Cabazes de Tet, para oferta (empresas e individuais); parafernália culinária, sobretudo doces, próprios da quadra; obras por todo o lado nas casas: acrescentos, pinturas, limpeza…; compras de bens: tv, telemóveis, frigoríficos, motorizadas, vestuário novo; mercado de frescos, peixe/carne/frutas/legumes, fervilhando de gente muitíssimo mais que normal e…flores amarelas aos milhares. Muitíssimos milhares (incrível). É a flor do Tet para decorar casas, templos, escritórios, ruas, pagodes, altares caseiros…
É tal a importância do Tet para estas populações que, lembremo-nos, a regra na guerra - chamada do Vietname (na verdade intervenção armada dos EUA no Vietname) – era a de os EUA pararem a actividade militar e decretarem tréguas.
João Enes

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