No silêncio da ribeira ao fim da tarde

Arrisquei: organiza o pensamento como? Silêncio pausado, e: o primeiro esquisso é constituído por notas soltas (ui a minha memória, notas soltas!, suspirou), sem ordem ou forma, extensas um ror de vezes. Interrompi: olha de seguida para as notas soltas? Isso mesmo, retorquiu, olho as notas soltas e traço letras adrede, fixo-me depois nas palavras, e, eureca!, descubro uma determinada linha que se vai encontrando a ela própria, é nesse preciso momento que percebo onde quero chegar, é assim que organizo o pensamento em tons de pérola fosca, mas não sei bem se organizo o pensamento ou se o pensamento me organiza a mim, mas sei, isso eu sei, que não invento, descubro, mas descobrir não exclui o inventar, sendo o contrário também é verdadeiro. Estou perante aquele sentir que pensa e aquele pensar que sente, comentei com os meus botões, que me sopraram que o gosto pelo que no texto é fragmento e ruína é ver e sentir a poesia como uma alegoria do mundo.

Adenda, com memória e memória.

Comentários

Mensagens populares