"Espera o inesperado"

Incerto de si mesmo, o Ser quer apoiar-se nas coisas, sei que sim, mas pergunto: vivemos num teatro de marionetas, como pensa Goethe, ou representamos a existência através da vacilante lanterna mágica de Proust? Quiçá seja o veloz conceito de naufrágio que mais bem explica a vida: se ao naufrágio se sobrevive, ganha-se e perde-se muito, tal qual o acontece na vida. Isso!. naufragar na vida é reconhecer a nossa precariedade nas coisas mas também é o advento surpreendente e rasgado de esperar o inesperado, por exemplo, o desvelamento do Ser na materialidade da arte, nas suas várias dimensões - a arte mostra que não é possível conceber o fechamento do objecto sobre si próprio.

Adenda, com memória e memória.

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