A "COVA da BEIRA" É O LOCAL IDEAL
"Manuel Castro Almeida (ministro da economia) disse que a intenção do Governo é criar duas dessas (grandes) áreas empresariais para fixar empresas multinacionais a Norte, outras duas no Centro (ficando uma no litoral e outra no interior), outra em Lisboa e uma outra no interior do Alentejo."
A noticia acima (sem parênteses), publicada no passado mês de Julho, divulga uma grande aposta do governo de Portugal para o desenvolvimento da economia em Portugal: a criação de seis grandes áreas empresariais. Considere-se que, no que se refere à Região Centro de Portugal, se anunciam duas grandes áreas empresariais, uma no litoral e outra no interior.
O que aqui agora importa é uma aproximação à identificação de um local ideal para a instalação de uma área empresarial na "Região Centro de Portugal" (interior);
- é necessário, primeiro, ter presente o disposto no "Plano Nacional de Ordenamento do Território - onde o país encontra o futuro"; e, ,logo depois, é necessário, com precisão, identificar um conjunto de recursos (naturais e não naturais) instalados (e a instalar) num território específico do interior da Região Centro - a Cova da Beira - que mostrem que é ela o local ideal para a instalação de uma grande área empresarial para fixar empresas multinacionais no interior de Portugal.
A "Cova da Beira", facilmente se deduz. é o local ideal. Por sete razões:
- (1) a Cova da Beira. com uma população permanente de cerca de 75000 habitantes (aos quais se devem acrescentar mais cerca de 25000 não permanentes, a maior parte dos quais emigrantes em França, Suíça, Luxemburgo, Canadá) está localizada entre as serras da Estrela, da Gardunha e da Malcata, e é atravessada pelo corredor viário e ferroviário Castelo Branco - Guarda, e tem acesso fácil a outras linhas ferroviárias e viárias (A23 e A25);
- (2) o "Regadio da Cova de Beira" é uma infraestrutura com elevadas potencialidades, que podem ser exploradas com mui elevados índices de rentabilidade;
- (3) a "Universidade da Beira Interior" (articulada com as "Universidades Politécnicas de Castelo Branco e da Guarda" e o "Centro de dados da Covilhã"; é um "Hub" de conhecimento e de formação e de investigação em vários domínios, com um estaque muito especial para a Saúde;
- (4) a localização da Cova da Beira; - a cerca de 2h e 30m, de Porto, de Lisboa e de Madrid - é um fator deveres relevante para empresas multinacionais;
- (5) existem infraestruturas tecnológicas e de formação (aeronáutica), instaladas no território, que beneficiando (também) da ligação umbilical de Belmonte ao Brasil, podem abrir portas a empresas de tecnologias de última geração;
- (6) o "Glaciar do Zêzere"; abre caminhos novos, culturais e de prospecção de metais raros, para além de também abrir portas para o "Geoparque Natural da Serras da Estrela" e, consequentemente, para potenciar as excelentes unidades de turismo e abrir, com sésamos inteligentes, os últimos dez mil anos da vida da Humanidade; e, oxalá!, alguém se lembre da possibilidade da construção de algo similar ao "Silo Global de Sementes de Svalbard" na Serra da Estrela;
- (7) uma candidatura à instalação na "Cova da Beira" de uma "área empresarial para fixar empresas multinacionais", que seja elaborada conjuntamente por três municípios (Belmonte, Covilhã, Fundão) é (parece ser) única em Portugal, e poderá vir a ser replicada noutros pontos do país como uma prática política inovadora de cooperação estratégica.
A pergunta e a resposta que sobram: existe algum exemplo de algo similar, que possa já ter acontecido, e que possa servir de inspiração?, salvaguardadas as devidas distâncias, sim, existe.
Atente-se...
Com uma população inferior a 10 000 habitantes, nos anos 70 do século XIX, "Los Angeles" explodiu para se tornar uma metrópole global numa altura em que as tecnologias estavam a refazer o mundo urbano, especificamente as tecnologias da mobilidade, e, ao longo dos anos, foi a mobilidade que fez "Los Angeles". A sua expansão foi ditada pelas indústrias que apoiava, mas também por uma concepção utópica do que devia ser uma sociedade moderna. Considere-se, a título de exemplo, o desenvolvimento do maciço "Vale de San Fernando";, transformado em paraíso verdejante, campos irrigados, pomares, bosques e campos de golfe, e o esplendor rural do vale forneceu o cenário ideal para muitos filmes.
Poderá, num futuro não muito longínquo, a "Cova de Beira", um vale fértil e um biótopo entre três serras (cada uma com características específicas), poderá vir a tornar-se uma inovador "cidade policentrada - Belmonte, Covilhã, Fundão": uma cidade extensa e global, com áreas empresariais e com tecnologias de ponta e com qualidade de vida, de turismo, de cultura e de formação, onde a vida das pessoas também decorra entre abundante número de árvores, de plantas, de flores, de arbustos, de pomares, de floresta e de rios e de ribeiras e riachos, e de ervas e de frutos e de ar puro, a par de diversificados equipamentos culturais (de museus a galerias e equipamentos desportivos) de muita qualidade? Claro que sim, e uma "grande área empresarial para fixar empresas multinacionais" quiçá possa ser a ideia (as coisas começam e acontecem quando se tem uma ideia) de uma futura primeira "Cidade Autónoma da Cova da Beira" em Portugal? Se houver vontade e arrojo políticos, sim, e até o "Capital Social" (alô, Robert Putnam!) - absolutamente determinante para a diplomacia económica - é algo que não falta e que existe em abundância na "Cova da Beira".
Adenda, com memória.
Comentários
Enviar um comentário