A dádiva do afeto, as ambições da Inteligência Natural e o mistério da consciência (com música)
É sempre uma benção ouvir falar António Damásio, fala da Inteligência Natural e da lógica da consciência de uma forma simples, mui entendível, mas quando se trata de escrever o que ele diz, a escrita fia mais fino. "Quem imaginaria que o afeto, em geral, e os sentimentos, em particular, fabricados por obra e graça da Inteligência Natural como meio de manter a vida em criaturas simples, se tornariam, na longa trajetória do tempo, os elementos definidores da existência humana, os provedores de alegrias e tristezas, de glórias e tragédias, de valores elevados e mesquinhos, nada mais, nada menos do que o mais profundo alicerce da humanidade que habitamos e observamos?". A consciência de si nasce para proteger a vida, daí a importância do corpo e dos sentimentos. Tudo fácil e simples, mas poderá haver sentimentos pensativos para além dos sentimentos emocionais (interpretações cognitivas das situações em que nos deparamos, uma capacidade possibilitada pela evolução da consciência)? Pensar a própria existência, consequência da Inteligência Natural sobretudo nos seres humanos, é um sentimento pensativo (música em fundo). Temos no cérebro circuitos instintuais que controlam os comportamentos que ocorrem quando sentimos determinadas emoções: são circuitos de sobrevivência, que detectam estímulos biologicamente relevantes e produzem as respostas corporais que ajudam a manter o organismo vivo, dando seguimento ao imperativo de sobrevivência que teve início com o LUCA (Last Universal Common Ancestor).
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