O Porto não é uma cidade, o Porto é uma nação!
Com o pensamento de Thomas Hobbes (1588-1679) a tiracolo (tudo tem existência material; o ser humano é naturalmente inadequado para viver na cidade (na “polis”); é necessário um contrato social para viver em sociedade; o Leviatã ilustra o poder do governo central), tento olhar para a actual pré-campanha política para as eleições autárquicas (o que é que na prática distingue a pré-campanha da campanha?, não sei!). Eleições que se realizam no fim deste mês de Setembro. Por opção (de afecto e saudade, gosto mesmo muito da cidade do Porto), já vi, com olhos de ver e de ouvir, já vi dois debates televisivos com os candidatos (cabeças de lista) à Câmara Municipal do Porto: uma pasmaceira retinta e requentada, que cansaço! Pensei comigo: os contendores do incumbente (e independente) Rui Moreira - candidatos(as) escolhidos pelos partidos políticos - atiraram para o ar algumas-poucas ideias gastas e estafadas, proclamatórias de uma mão cheia de nada e de outra de coisa nenhuma, pouco mais que isso, tudo assaz poucochinho, pátátipátátá, rodeios, poses, apartes, falatórios, explicações, enredos, bicos-de-obra, fúrias, ironias. Em maus lençóis e sem saberem como fintar o tempo e que caminho trilhar, todos(as) já perderam para o independente Rui Moreira antes de os eleitores irem a votos. Atrevido, questionei Hobbes: que tal? Respondeu ele que era demais para ser verdade, tantos anos depois e a necessidade de um novo contrato social estava à vista. Disse ainda que algo novo já estava a emergir e que esse algo merecia muita atenção, mesmo muita atenção, sublinhou assertivamente. Como diz?! Arrisquei admirado e confuso. Oiça, retorquiu, o raciocínio não é mais de que "cálculo" no seu sentido lógico matemático, em sequência pense que os eleitores portuenses, nestas próximas eleições autárquicas, vão mandar passear os partidos PS e PSD - a percentagem de votos de um e de outro não chegará aos dois dígitos - que há mais de quarenta anos governam este seu Portugal. Se assim for, alvitrei, será o tempo de parar para pensar, uma vez que tal resultado significa que esses partidos já perderam a ligação aos seus eleitores e que só vivem nas suas bolhas e que, pasme-se, não dão por isso, o mesmo irá acontecer nos restantes municípios? Mais tarde acontecerá, mais tarde sim, respondeu Hobbes, o que está em causa é maximizar o florescimento humano - a vida, a saúde, a felicidade, a liberdade, o conhecimento, o amor, a riqueza da experiência - , e vaticinou: acontecerá primeiro no Porto a necessidade de um novo contrato social ((na perspectiva da ideia (e do exercício) da democracia)) tendo em vista o reforma e o reforço do Estado, e a razão de ser é simples: o Porto não é uma cidade, o Porto é uma nação! Embatuquei, esbocei um gesto de desculpa e de Conrado guardei o prudente silêncio. Hobbes a falar em democracia?!, pode lá ser!, disparou a minha sempre presente, atenta e perspicaz consciência crítica.
Adenda..., com música.

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