Claro que sei, vi
Pensa mesmo, meu caro, pensa mesmo que sabe? Estou fartinha de amores platónicos, a vida
não é assim, e eu sei bem que não é. Olhei a única fada que, às segundas-feiras,
tudo interpreta (ou faz que interpreta, sei eu já lá bem) ao contrário. Olhei-a um pouco atrapalhado. A visão do seu
rosto-silêncio a falar (que estará ela a esconder e porquê) fez-me crer na
existência de comunicação entre mentes (entre as nossas duas mentes a linguagem
é um disfarce do que nos vai na alma, há muito sei que assim é). A perfeição do seu corpo (e a aura da
sua inteligência única) fez-me sentir o pulsar da vida nos bosques encantados.
Bosques onde as árvores (ela é uma árvore, vertical, elegante)
falam com os pássaros e trocam mensagens através das borboletas. Bosques onde
as árvores (ela é uma árvore elegante, vertical) escolhem o tempo
do lento desabrochar das orgulhosas flores ancestrais e das tímidas violetas silvestres. Abracei-a. Senti o
seu cheiro, a temperatura do seu corpo, os seios subitamente firmes por baixo
da linda blusa azul vaporosa. É extraordinária, soprei-lhe ao ouvido, e só não
percebo porque é que não consegue vislumbrar quanto é amada por mim. Reclinou a
cabeça e esperou que eu a beijasse. Sei o que aconteceu, disse-lhe eu embaraçado. Pensa mesmo, meu caro, pensa mesmo que sabe? Claro que sei, vi.
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