Paciência, cada um é como é, rabugices agora não

(Mensagem recebida)
É verdade, é verdade sim senhor, meu caro, é mesmo verdade. chamei-lhe autista, rabugento empático, insensível, chamei sim senhor, chamei. E sabe porquê? Claro que sabe, diz sempre que vamos falar e nunca fala. Mas eu desculpo-o, sei que só pensa em mim, Embrulho as suas atitudes com o novo conceito nascido em 1999 e relacionado com o autismo: a neurodiversidade humana. Não sabe o que seja ou possa ser? Olha a novidade! Procure saber, leia o livrinho que lhe sugiro, adiante. Andam agora por aí (ó céus, ó tempo das cerejas) uns maduros a apregoar que se pode medir a neurodiversidade humana. Pois sim, meu caro, a cartografia das funções mentais, através das técnicas não invasivas de neuroimagem, é um território de promessas, eles até dizem que será possível predizer o comportamento das pessoas. Pense comigo e com tino. Ler a mente é um desafio imenso, predizer o comportamento, olálá, o objectivo pia fino, vai exigir uma ciência rigorosa e uma série de considerações éticas... Hoje, meu caro, fico-me por aqui. Ponha agora os olhos em mim e sinta como eu sou um exemplar raro (e único) de diversidade humana onde, harmoniosamente e em caleidoscópio criativo, se combinam: a idade, o sexo, a personalidade, a cultura e a genética. Sou assim, que se há-de fazer! Antes que me esqueça, saiba que gostei do poema de ontem, é lindo e tem leves parecenças comigo (beleza minha, quanto excesso, Santo Deus!), pois não tem? Não gosta, não gosta mesmo da expressão "rabugento empático"? Paciência, cada um é como é, rabugices agora não!

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