O José Delgado cortou duas orelhas e um rabo


(Mensagem recebida)
Recorda-se, meu caro, da pintura do Roque Gameiro "Barcos em Vila Franca de Xira"? Gostei de ver, ah pois, gostei. Então não é que o meu avô paterno (bem sabia eu que a pintura me era familiar) o meu querido avô paterno tinha um barco igual, mas mais bonito, o barco até tinha o meu nome, que ideia magana a do meu avô! Talvez, também por isso, a vida perdure magana no paladar doce dos meus olhos bugalhados, na tez fina e lisa do meu rosto perfeito e no curvilíneo andar do meu vestido em tecido tom cereja. Adiante, memória puxa memória. Lembrei-me, meu rabugento empático, que Vila Franca de Xira é terra de touros e de touradas, e (ó céus, oh Senhor Deus) o meu cérebro ditou-me: conta-lhe (o lhe era para si), conta-lhe a faena científica do José Delgado. Fui reler a noticia da faena no "New York Times" de 1965, e ri (ai quanto eu ri) com o José armado com a bata branca a fazer de traje de luzes (até o locutor tem piada, verdade?). O José Delgado cortou duas orelhas e um rabo numa faena científica... Vida a minha "que me muero de riso"! Se eu conheci o José, se ele se apaixonou por mim? É isso que quer saber? Claro que não, ele era espanhol e apaixonado pela ciência... O mesmo não digo (ai não digo não) de um ganadeiro conhecido que até um ramo flores me ofereceu. Adiante que os seus ciúmes pegam de caras. Ria-se, vá lá, ria-se, gosto de o ver rir.

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