A dedicatória é pequenina e em letras redondinhas, minhas


(Mensagem recebida)
Pediu, aí a tem, meu caro, aí tem a capa do livro do António Mega Ferreira "A expressão dos afectos". Gostava de reler a minha dedicatória, não se consegue lembrar, natural em si, não se incomode. A memória trai-nos nos pequenos pormenores, pequenos, mas importantes, sem dúvida. Disse-me que se visse o livro se recordaria. Que tal? O seu cérebro vê imagens distorcidas na capa do livro? Que interessa isso agora? Interessa, concedo. Interessa porque (ó ceus, ó afectos meus desmedidos) só o simples facto de lhe enviar esta mensagem embrulhada em papel azul com uma fita encarnada, produz em si os efeitos da mescalina. Não sabe o que é a mescalina? Que novidade, meu caro, que novidade, olhe a minha cara de espanto! Procure "As portas da percepção" do Aldous Husley e saberá. Adiante. Ainda não lhe contei, mas hoje vou a um almoço e estou assim a modos que sem saber o que vestir e calçar; irei leve e solta e com a minha proverbial boa disposição à proa de um sorriso matreiro, que lhe parece? Se os meus olhos grandes vão comigo? Então não! Bugalhados, claro... Sempre lhe deixo ainda uma pista para a sua (fraquita) memória se entreter. A dedicatória é pequenina e em letras redondinhas, minhas. 

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