Março é o mês onde a Primavera recomeça

(Mensagem recebida)
É todos os anos assim, meu caro, é todos os anos assim... Chega o mês de Março onde a Primavera recomeça, a poesia faz-se anunciar, e (oh vida minha) uma alergia miudinha dá-me cabo do juízo enquanto a minha cálida voz enrouquece (ao de leve) para provocar o seu coração aflito por mim... Vá lá, sorria, sorria que os sorrisos não têm fim de semana. Lembrei-me hoje (gosto muito, mesmo muito, do Michio Kaku, sabe pois não sabe?); lembrei-me, dizia eu, de uma poesia do António Gedeão (sim é, António Gedeão é o pseudónimo do enoooooooorme e sábio e professor Rómulo de Carvalho)...; e, plim, rapinei na Biblioteca Nacional o manuscrito que lhe envio... Que poeminha lindo "Máquina do Mundo"! Gosto, gosto, gosto, até tanto me sinto a gaguejar e a imaginar e a sonhar, franja minha, ai como, ai tanto...; ui, ui quanto o meu pensamento vadio me surpreende, sempre e quando leio (e releio) o poemimha:
O Universo é feito
essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto é matéria.
Daí, que esse arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio.
deve ser um intervalo.
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