Alexandre O´Neill: "Ele não merece mas vota no PS"

filosofia, logica, matematica, paradoxo
Alguns dos recentes acontecimentos em Portugal não param de surpreender o mais distraído dos mortais... Nesta carta manuscrita, onde um ex-primeiro ministro de Portugal (agora detido preventivamente...) "pensa e teoriza" sobre o significado e sobre a "estranha" utilização prática da medida de coacção de prisão preventiva, pode constatar-se que a referida "carta-ódio" termina com uma pergunta (dita clássica) que é um paradoxo: "quem nos guarda dos guardas?". (1) É longa (vem de muito longe) a história dos paradoxos, e a história de vários tipos de paradoxos...; não é agora a altura para grandes divagações pela história, basta um consulta simples para se perceber que um paradoxo "é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica ou a uma situação que contradiz a intuição comum"... (2) Mas (quiçá...) possa ser interessante e importante (só para os mais afoitos e tenazes) uma digressão por esta obra de Alexandre Korzybski, onde se podem encontrar os princípios da sua muito bem fundamentada teoria da semântica geral: "os seres humanos não podem experimentar o mundo directamente, só através das suas abstracções (impressões não verbais que provêm do sistema nervoso e indicadores verbais que provêm da língua)"... (3) Façamos, a título de exemplo, o exercício do paradoxo do quadrado perdido: a imagem (acima) mostra um gráfico em que um triângulo rectângulo é disposto em quatro partes geométricas; após uma troca das partes, forma-se um outro triângulo e eis que surge uma área branca na sua base..., como é possível se o tamanho das peças não foi alterado? Fácil a resolução, talvez o não seja para todos... (4) Infelizmente, nem todos os paradoxos são tão fáceis de resolver como este é (ainda que com alguma pequenina dificuldade para alguns)...; são muito difíceis de resolver, especialmente, os paradoxos relacionados com a espiritualidade e com a religião e com a moral e com a ética: revisitar Epicuro até que pode valer a pena e fazer (a alguns) muita falta... (5) Assentemos, porém, na ideia segura de que os paradoxos cumprem uma função essencial para a mente humana, a função de propor exercícios de pensamento que servem para apurar o nosso pensamento e o nosso entendimento do mundo e da vida e das instituições... (6) Regressemos à carta do referido ex-primeiro ministro de Portugal: aparentemente toda ela é um enorme quebra-cabeças... Foi necessário a um ex-líder de dois governos do PS (seis anos) ter sido preso preventivamente, para bem se aperceber do peculiar funcionamento (mau e desastrado funcionamento) da justiça portuguesa e afins? Então ele não conhecia, por exemplo, o tipo de funcionamento da justiça portuguesa e afins (e, especificamente, o desastrado funcionamento da justiça portuguesa no caso da aplicação da medida de prisão preventiva) no denominado "processo Casa Pia, não conhecia, claro que conhecia!... (7) É de louvar, no entanto, a determinação (e a convicção) de quem assim escreve, de quem, sem papas na língua e nem meias medidas, não se cala...,  e de quem sublinha o desprezo que as pessoas decentes têm por determinadas intrigas, e de quem se insurge: contra o mau funcionamento da justiça e afins, contra a cobardia (indiferente) dos políticos, contra o cinismo (ilusionista) dos professores de direito e contra o destrambelhamento (cúmplice) de.alguma comunicação social... Talvez (o tempo o dirá!) a carta (em boa hora divulgada) seja não só uma forma de desencarcerar a opinião pública quanto possa ser uma excelente forma de fazer jus a uma espantosa e paradoxal e lúcida frase do imortal Alexandre O´Neill: "Ele não merece mas vota no PS".

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