O Jacob Barnett também é um génio normal... Também?!
Vá lá, meu caro, veja se consegue ler a equação-assinatura do Jacob Barnett (pode activar as legendas em português) no livro em que a mãe desvela mundos novos... Obviamente que não consigo, ripostei à sugestão matinal e intempestiva da única fada que nunca teme questionar certezas e que nunca se inibe de rabiscar palavras, vindas não sei donde, tormentosas e enigmáticas como se fossem memória antiga ("dentro de mim mora um tornado que não cessa de "abrilar" caminhos", ouvi-lhe um dia sussurrar)... Tudo bem, não fico surpreendida, disse ela medindo as palavras, tudo bem, mas pense comigo para entender como é necessário e urgente olhar para o autismo numa perspectiva diferente (o autismo, meu caro, é muito mais uma diferença e muito menos uma doença)...; seja, aquele livro relata as respostas a duas perguntas difíceis: "Que fazer quando se diagnostica autismo a um menino de dois anos e se assegura que esse menino nunca terá uma vida normal? E que fazer, anos mais tarde, quando alguns especialistas garantem que esse menino tem um coeficiente intelectual de 170 (superior ao coeficiente intelectual de Einstein que tinha 160)?"... Ainda eu gaguejava, e já ela (linda de viver e de rosto rubro cheio de significado) me ciciava quão importante é: parar de aprender para pensar e para criar... Como é que é?! Parar de aprender?! Exclamei. Meu caro admirador do avesso da vida, trauteou feliz, cheia de graça, força e fascínio como quem retira poemas do oceano da vida: pare e ponha os olhos em mim e saberá porque é que o Jacob Barnett também é um génio normal... O Jacob Barnett também é um génio normal... Também?!
Adenda (mensagem recebida)
Revi o vídeo do menino autista. Um menino que
nunca foi nem será criança. Confesso-lhe, meu caro atrapalhado, que me dá uma
certa tristeza, porque há um lado menineiro e alegre da vida que ele nunca
conhecerá nesta vida. Mas, provavelmente, ele escolheu viver esta vida nesta
forma de menino inteligente (mas limitado noutros aspectos humanos, como o
saber estar, o atentar no que os outros podem pensar ou
sentir, nota-se bem) e com uma missão a cumprir junto das pessoas. Veio
ensinar-nos que não devemos ser seguidistas, nem nos limitarmos
a replicar o que os outros disseram ou fizeram antes de nós, que
devemos pensar pela nossa cabeça, que é possível fazer diferente, que é
possível o que até parece impossível aos olhos dos conformistas e dos
conservadores. A mensagem daquele ser não é apenas cientifica, isso é o de
menos, porque haverá outros cientistas (autistas ou não, não interessa) que
terão as mesmas ideias, que revelarão novas teorias. É uma mensagem espiritual
e política. Provoca, incomoda e maravilha-nos ao mesmo tempo. É preciso
ter coragem para mudar a forma de ser e de estar. Obriga-nos a enfrentar os
outros. É "o nosso mundo" contra o "mundo dos outros".
Estou convencida de que se aquele menino fosse "normal" não diria
algumas coisas que diz, não teria nem metade da coragem que tem, ninguém lhe
ligaria nenhuma. O autismo preserva-o das críticas dos outros e da maldade
alheia. Estou tentada a dizer que ele não sofre. Limita-se a ser como é e não
se importa muito com os outros. Quando ele fala, sente-se uma certa arrogância,
é estranho e até desagradável. Achei muito engraçado, meu caro, ter referido
(ontem, foi ontem pois não foi?) uma teoria acerca de "espíritos
encarnados". Talvez aquele menino, numa outra encarnação, tenho sido
alguém que viveu aprisionado, ou foi oprimido, castigado pelas suas ideias. Ou terá
sido alguém que não teve oportunidade de desenvolver os seus talentos. Ou até,
quem sabe, alguém que foi castrador das ideias dos outros, um inquisidor, um
prepotente e tem de viver, pensar, sentir, nesta vida, exactamente o
oposto. É um mistério da vida, pois não é?! Vida a minha!
Nova adenda (mensagem recebida)
Eu tenho, meu caro, dificuldade em pensar no autismo como uma forma normal de se ser. Não sei se é normal ou anormal. Gosto do exercício do direito e talvez por isso (quem sabe) sofra de deformação profissional: o que foge à regra tem de ser eliminado, ter tratamento ou sofrer uma punição. A sobrevivência da espécie levou a este tipo de organização social auto regulada e punitiva. Quando os seres humanos atingirem um nível espiritual superior serão capazes de aceitar que são todos diferentes, únicos e que devem respeitar os limites do outro, que devem cuidar de si próprios e olhar ao mesmo tempo pelos outros (se todos fizerem isto, estarão todos bem entregues e nada lhes faltará). Não haverá ditaduras de espécie alguma, porque ninguém as tolerará (nem passará pela cabeça de ninguém que existam). Também não será preciso punir ninguém porque não haverá necessidade de fazer mal às pessoas e às coisas. As diferenças resolver-se-ão por mediação, pelo diálogo. As decisões vingarão por elas próprias, porque são naturalmente justas, adequadas, equilibradas.Tenho esperança que a Humanidade evolua neste sentido.
Nova adenda (mensagem recebida)
Eu tenho, meu caro, dificuldade em pensar no autismo como uma forma normal de se ser. Não sei se é normal ou anormal. Gosto do exercício do direito e talvez por isso (quem sabe) sofra de deformação profissional: o que foge à regra tem de ser eliminado, ter tratamento ou sofrer uma punição. A sobrevivência da espécie levou a este tipo de organização social auto regulada e punitiva. Quando os seres humanos atingirem um nível espiritual superior serão capazes de aceitar que são todos diferentes, únicos e que devem respeitar os limites do outro, que devem cuidar de si próprios e olhar ao mesmo tempo pelos outros (se todos fizerem isto, estarão todos bem entregues e nada lhes faltará). Não haverá ditaduras de espécie alguma, porque ninguém as tolerará (nem passará pela cabeça de ninguém que existam). Também não será preciso punir ninguém porque não haverá necessidade de fazer mal às pessoas e às coisas. As diferenças resolver-se-ão por mediação, pelo diálogo. As decisões vingarão por elas próprias, porque são naturalmente justas, adequadas, equilibradas.Tenho esperança que a Humanidade evolua neste sentido.
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