Entre a espada e a parede: relativize-se a espada e retoque-se a parede

Olhando e lendo (com a atenção merecida) este último editorial da revista Marianne, apreciando a polémica instaurada em
Portugal sobre os resultados dos estudantes portugueses no PISA2012 (“este programa visa avaliar a capacidade dos
jovens de 15 anos no uso dos seus conhecimentos, de forma a enfrentarem os
desafios da vida real, em vez de simplesmente avaliar o domínio que têm sobre
os conteúdos do seu currículo escolar específico”), e lendo com atenção
este estudo (os autores do estudo
analisaram a importância da genética no êxito escolar, utilizando como amostra
as notas de 11 mil exames de alunos de 16 anos do ensino secundário)
fica-se a modos que entre a espada e a parede. Vamos lá saber porquê e tentemos tirar conclusões. Primeiro, o artigo da revista
encosta-nos a uma parede francesa: uma paixão política pela
educação, deu em desilusão amarga. Segundo,
a polémica (caseira e rasteira) sobre os resultados dos estudantes portugueses (PISA2012)
encosta-nos a uma espada portuguesa: os resultados dos alunos devem-se às políticas dos ministros. Terceiro, a conclusão mais apelativa do estudo (apesar de destacar o peso dos genes no sucesso escolar, o estudo esclarece que o ambiente em que os alunos vivem também é importante, pois influencia as notas em 36%, e refere ainda a importância das escolas) aconselha a que relativizemos a espada (os ministros e as suas políticas valem o que valem e não mais que isso) e incentiva-nos a que retoquemos (com saber, com criatividade e com urgência) a parede do pedagogismo e da parentocracia na educação básica: os genes influenciam mais as
notas dos estudantes do ensino secundário do que os professores, as escolas ou
a família.

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