A infância continua a ser um enigma
Na tentativa de decifrar este enigma, continuam a
defrontar-se duas teses principais. Uma,
em que uma criança é entendida como um adulto; é nesta condição que se
reconhece a sua dignidade e se afirma o seu valor como pessoa. Outra, em que a criança é considerada
como o contrário de um adulto; é nesta condição que se pode garantir a sua
protecção. Como resolver esta antinomia? - Eis a pergunta que se impõe. Uma das tentativas mais acutilantes e inteligentes de resolver essa antinomia é a “Teoria da Mediação" de Jean Gagnepain. J-C.
Quentel tendo por base esta teoria, apresenta aqui uma excelente reflexão sobre o estatuto da criança que importa ler com atenção. Eis, em continuidade, um documento/proposta muito interessante,"Pacte per a la Infància a Catalunya" (com uma chamada especial de atenção para as páginas 21, 22 e 23). Pode ser entendido como uma forma de prolongar a reflexão sobre o estatuto da criança e fazer uma aproximação ao modelo fecundo da teoria da mediação; mas é um documento que é muito mais que isso: é uma forma inteligente e muito conseguida de apelar aos poderes políticos e às instituições para que sejam inovadores e criativos nas políticas da infância.
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