O cinema, o público, a televisão
Uma arqueologia do cinema e dos seus públicos, entre outros aspectos, faz reemergir a questão do cinema de massas nos EUA, nos 'thirties' e 'forties'. O cinema era então o grande espectáculo popular.
A maioria dos seus espectadores habituais, passaram a telespectadores fiéis a partir dos anos 50. O próprio cinema passava então por uma espécie de dupla reificação electrónica: primeiro, por uma progressiva habituação do público ao novo formato; depois, por uma reconfiguração do próprio cinema, através de novos processos de produção, novos processos narrativos, de um novo discurso que acabava por entrecruzar-se com as práticas enunciativas do próprio dispositivo televisivo.
No âmbito da televisão emergia entretanto um sistema híbrido no campo da ficção, onde predominavam as séries televisivas e as soap operas, surgindo depois os telefilmes.
Neste texto pretende dar-se fundamentalmente uma contribuição para a reflexão sobre esse modelo de ficção televisiva: até que ponto é que uma ontologia da série televisiva e do telefilme - o específico da televisão, para além do directo - expõe (ou não) a ferida de uma diferença originária - uma poética face a uma prosa do mundo, ou talvez mesmo, uma vampirização do cinema pela televisão e pelas novas tecnologias a ela associadas?
(...)
Continuar a ler este texto de F. Rui Cádima, extraído do seu livro Desafio dos Novos Media, Editorial Notícias, Lisboa, 1999
Comentários
Enviar um comentário