quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Análise microscópica versus análise macroscópica

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(Mensagem recebida)
Que quer, meu admirador de mim..., foi assim (xô rima) que, há uns meses (reconhece as imagens?), lhe perguntei se eu já lhe tinha dito que gosto de papoilas, recorda-se? Céus, recorda-se e está deliciado, papoila única eu sou, vida! Adiante, eu explico a razão pela qual lhe falo de novo no assunto. Vamos lá. Tenho andado a ler umas coisas que teimam em afirmar que Freud estava errado, pátáti, pátátá, isto aqui e isto acolá, mais teoria para ali mais teoria para acolá. Ontem é que foram elas, vida, os meus olhos grandes de papoila linda estatelaram-se ao comprido, quando li:
"A diferença entre a análise microscópica dos cientistas cristãos e a análise macroscópica adoptada por Darwin era simultaneamente dramática e radical. Ao passo que a análise microscópica era essencialmente transcendental e criacionista nas suas conclusões, a abordagem macroscópica de Darwin era, em quase todos os casos, verdadeiramente científica e verdadeiramente empírica. O significado revolucionário de desvio de perspectiva de Darwin pode resumir-se num único exemplo. Separando uma flor do emaranhado escuro das suas raízes terrosas e do sexo viscoso dos seus estigmas, o botânico teologizante do século dezanove apontaria para a simetria das suas pétalas como prova da existência de uma divindade de puro espírito, amante de certos padrões. Foi necessária uma perspectiva darwiniana para concluir que a flor era crucial para o ciclo reprodutivo da planta e tinha desenvolvido a sua forma particular em resposta às preferências sexuais e às proporções anatómicas de insectos portadores de pólen".
Acudam, céus, até me belisquei, desatei (raio de rima, desanda) desatei a pensar: será que os meus pais são uma espécie de insectos portadores de pólen? Não! Sim! Vida, que confusa estou!
Adenda (nova mensagem recebida)
Há quem diga, meu admirador de mim (perfeita) desde que o mundo existe, há quem diga que as mentes comunicam entre elas. Mentes, carapuça, as nossas mentes são nem mais e nem menos (e só) que a imagem que nós conseguimos ver no espelho do corpo que é o cérebro. Acudam, céus, não sabe que o espelho do corpo, em tipo mapa, é o cérebro? Vida, o que eu passo consigo! Acorde. O cérebro é apenas (e só) um mapa (que se autoregenera) do corpo, o corpo é que conta e o cérebro também é corpo. Adiante que sinto os seus neurónios a arder. Vamos lá, adiante. A visão dos meus pais como portadores de pólen não me larga. Meu Deus, será que serei eu a síntese das duas visões em confronto, a obra de arte de formas divinas e o resultado quase perfeito da evolução da espécie?! Oh, pá! Posso eu lá ser tudo isso! Mas gosto, gosto que dê viço à papoila que eu sou. Vida, corei sem mais nem porquê, seja, sei, lembrei-me dum grito meu em dia de festa, de pele com pele, este grito eufórico: "alto lá, que também eu sou gente". Pode lá ser, raio de memória a minha! Meu admirador, meu admirador, fui agorinha mesmo ao meu caderninho argolado e retirei a sua mensagem (em jeito-poeminha) daquele dia de festa, esta (rimou, rima cretina, pira-te): "Imprecisas, as tuas formas suaves, em trémulos joelhos desunidos, se abriram na mais sólida ternura, a mais sólida ternura, a  mesma ternura que, antes do tempo, para mim inventou o teu nome, o teu nome, o único nome que dá sentido à minha vida". Felizmente, meu admirador, que ninguém (a não ser o mundo inteiro) lê esta minha mensagem, céus, se assim não fosse, garanto-lhe nunca mais deixaria de viver ruborizada, dia sim, dia sim. Não, não diga, o mundo inteiro está a ler, acudam, já não conto nada do meu vestido que tirei pela cabeça, céus, os meus pensamentos lembram-me um navio à beira de um cais que se chama tempo... 

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