domingo, 16 de junho de 2019

Sugestão da Mafalda: decretar feriado o primeiro dia do ano lectivo

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(Sugestão da Mafalda: mensagem recebida)
Ainda não caí em mim. Então: se também os educadores (e as educadoras) e se também as professores (e as professoras) e se também todos (e todas) os outros (e outras) trabalhadores (e trabalhadoras) das escolas são funcionários (e funcionárias) públicos, dando-se o caso de terem filhos (e filhas) com menos de doze anos também poderão faltar no primeiro dia de aulas dos seus filhos (e filhas). Uhm, cheira-me a esturro, pela certa grande pandemónio vai acontecer. Cá para mim, vida, melhor seria decretar feriado o primeiro dia do ano lectivo, assim como assim ganhavamos todos (e todas), no público e no privado. Ainda não caí em mim. Raios: como é que um conselho de ministros (e ministras)  - que é uma grande família que muito se preocupa com o seu bem-estar - não me pediu opinião? Esqueceram-se, acontece. Decididamente: os dias 13 são azarados em ano de eleições à vista. A verdade é que a coisa, há quem diga a geringonça, vai no indo, um dia destes descuida-se no fingimento (não sabe pensar fora da caixa pequena que construiu e em que vive) e empanca, depois é que vão ser elas, muda-se o palco e (que sina!) ou vai ou racha. Até duvido que os políticos portugueses saibam o que se passa no mundo, por exemplo, que vislumbrem os efeitos das alterações climáticas  e da quantidade de resíduos plásticos no oceano. Bem sei, bem sei, todos viram António Guterres (Secretário Geral Da ONU) a afundar-se na capa da revista Time, mas isso nem sequer serviu para (re)lembrar o pântano político (em Portugal) que ele denunciou, adiante. Vida, hoje estou zonza e mais do avesso do que é costume.
Notinha 1
Só hoje, no "também acho" da secretária de estado da educação, só hoje percebi a sua (dela) aversão aos estabelecimentos privados de educação, seja: eles garantem o direito ao negócio quando o que está em causa é garantir o direito ao ócio. Enfim, saberes de achologia, uma ciência em evolução...
Notinha 2
Há quem diga, e eu concordo, que sou uma especialista em mudar de perspectiva, gosto!
Adenda
... com memória.

sábado, 15 de junho de 2019

Minha Nossa Senhora do Sol, os pássaros não falam, pois não?

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(mensagem recebida)
Minha Nossa Senhora do Sol, meu zangadíssimo admirador, caiu-me em cima a imagem (que lhe envio) com dois abelharucos a descansar no cromeleque dos almendres: um deles, vida, muito admirado com a minha presença, credo, olhe só o ar dele, ar de desafio, que abelharuco, adiante. Atirei-lhe, encarrapitada no meu orgulho: armado em esperto, pois tem a certeza que eu já aqui estive há muito e muito tempo. Riu-se, o magano, digo, a magana, e lá foi dizendo (pode lá ser!): até que enfim que já abriu um centro interpretativo, já não era sem tempo, aqui no alentejo ontem é futuro. O potencial cósmico da minha natureza feminina não se fez esperar: e, céus, percebi, percebi que era eu a falar comigo, pode lá ser, não tenho memória alguma de ter sido uma abelharuca com a beleza emaranhada na personalidade que me caracteriza, embora eu tenha registado sinais da minha alma primitiva na fala da abelharuca linda. Minha Nossa Senhora do Sol, os pássaros não falam, pois não?
Adenda
Com memória e memória e memória.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Que áreas (no cérebro) são envolvidas numa situação de perigo?

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(mensagem recebida)
Sério, acredite, acredite, meu (ainda) relevante (relevante: gosto e gosto e gosto) admirador da minha perspicácia e da minha argúcia e da minha criatividade, acredite no que lhe vou contar. Oiça: ia eu, ia eu, leve e solta, cantarolando esta cantiga medieval (que quer, para mim, relevante tanto pode ter a ver com relevo como com levante) quando, sem tem-te nem mas, me cai em cima um piropo (o meu corpo curvilíneo viaja sempre comigo com os meus olhos grandes à proa), este piropo: "que tigresa, que medo, que ansiedade a minha!". Um falcato manhoso, só podia ser, um atiradiço sem tineta para inteligente a grunhir com um risinho lorpa, a fazer-se ao piso (credo!), a atirar-me pelo rabo do olho um abraço de vide e a puxar para o ar o vómito morbo do seu minúsculo cérebro (com menos de um quilograma, aposto), pingente pendura tísico, camafeu, traste, canalha: até medo tive dele. Bom, adiante, olhei-o rutilando àscuas de cólera, encarei-o de catadura torva, grande cavalgadura, jerico cobarde. Lá fui andando e, pensamento habita pensamento, desatei a perorar na diferença entre medo e ansiedade: aquele cretino não controlava a ansiedade e eu tive medo dele, vida minha! Imaginei-me uma tigre linda e zangada (demore-se na imagem) a meter-lhe medo (a ele, não a si, óbvio) e a escoicear-lhe o instinto, iupi! (conhece o meu tom espevitado, pois não conhece?), rio-me ainda a bom rir, aposto que ele metia o rabo entre as pernas tolhidinho de medo, adiante. Intrigada e ansiosa, no entanto, fui de carreirinha ler dois estudos: um sobre o medo, outro sobre o medo e a ansiedade. Veja bem que até pensei que, desde que a sociedade perdeu o cabresto do medo do inferno, quase vale tudo, já não há freio. Ah, quase  me esquecia de dizer que ainda ouvi (atentamente) o relato de uma experiência realizada num dos estudos. Fiquei a saber que uma coisa é o medo reactivo e outra o medo cognitivo, mais: passei a saber que, no cérebro, o medo e a ansiedade não moram no mesmo sítio. Em que lugares é que moram? Minha Nossa Senhora, procure saber lendo os estudos, faça como eu, que topete! Não caibo na minha pele só de o sentir atrapalhado com as farpas de ciúmes que lhe coloco no coração. Não se aflija, esta minha forma de escrever (só para si), com palavras penteadas, mais não é que o arrulho de uma pomba linda, nada estouvada, que sabe o que quer. Sou assim, a natureza deu-me talento, o meu espírito inteiriça-se como as ideias de um filósofo, sou culta, inteligente, polímata, e uma admiradora ferrenha da lauta e opípara língua portuguesa, a língua do Gil Vicente e do Camões e do Pessoa e do Camilo e da Agustina. Também sei que adora todos os dionisíacos lampejos de mim, o que me suscita inebriantes arrepios, e eu gosto, sou poema vivo, sou corpo e significado, sou uma obra de arte ligada ao discurso que, numa aragem leve, dia sim dia sim, dá novas ao mundo dos relevantes contornos esfíngicos da minha beleza e das minhas virtudes, que se há-de fazer: e olhe que não é para me gabar, o que seria se fosse, vida, céus!
Adenda
... com memória.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Conhecemos uma Nova Odisseia e Michel Serres é o seu aedo

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(mensagem recebida)
Só hoje, vida minha atarefada, só hoje, meu admirador de mim, só hoje li esta notícia triste, para mim inesperada. Então não é que continuo a pensar que não há coincidências? Não lhe dizia eu que os anjos são humanos? Olhe só a imagem que lhe envio, explico: li este seu texto e aquele número especial de uma revista de filosofia passou a morar na minha mesa de cabeceira. Atente, e guarde esta afirmação do Michel Serres: "Nous avons eu un choc, dans les années soixante, en contemplant les photos de la Terre prise de l´espace: pour la première de notre histoire, nous avons vu le monde sans horizon, la planète telle qu´elle est dans le cosmos. Cela a donné un poids concret à la formule de Pascal: "Nous sommes embarqués". Les hommes ont soudain compris qu`ils étaient tous des matelots d`un même navire. Em outre, ils ont commencé à se rendre compte des blessures qu`ils infligeaient au monde sous couvert d`exploitation des ressources". Se com esta minha mensagem quero reafirmar que é urgente estabelecer um contrato natural entre os Seres Humanos e a Terra como um plano de paz, fazendo da natureza e dos animais sujeitos de direito? Óbvio, na era metafísica da passagem ao Antropoceno Michel Serres o ditou, e eu o escrevo. Que quer, nasci assim, sou assim, inteligente e linda e única, que se há-de fazer!