domingo, 15 de outubro de 2017

Cada obra de arte tem uma certa ambiguidade

Image result for The Age of Insight: the Quest to Understand the Unconscious in Art, Mind, and Brain, from Vienna 1900 to the Present   
Eric Kandel (Prémio Nobel de Medicina em 2000) é o autor de um livro (publicado em 2012), onde - de forma criativa - articula e concilia (i) a sua experiência de cientista (especialista em memória) do cérebro, (ii) o seu vastíssimo conhecimento em psicologia e (iii) a sua paixão pela arte. Excelente livro para se fazer uma aproximação à "neuroestética" (disciplina que pretende conhecer e perceber as bases biológicas da percepção estética). Transcreve-se uma pequena parte de uma entrevista que ele (em 2012) concedeu à revista Valor.
(...)
Revista: A investigação científica tem mostrado que o cérebro conservou vias de reconhecimento de linhas, rostos e movimentos orgânicos. Além disso, as reações emocionais são respostas previsíveis de vias internas específicas ativadas por estímulos externos. Então, por que as pessoas reagem de forma diferente quando expostos a uma mesma obra de arte?
E.KandelÉ porque o cérebro é uma máquina criativa. E cada obra de arte tem certa dose de ambiguidade. Ambiguidade significa que você pode interpretá-la de diferentes maneiras. Você e eu, ao olharmos para a mesma pintura, vamos interpretá-la de maneira ligeiramente diferente. Nós temos experiências históricas diferentes, você teve uma vida diferente da minha. Então, quando olhamos para a mesma pintura, você escolhe seguir diferentes associações, diferentes ideias, diferentes origens históricas, o que a ajuda a apreciar o processo e desfrutar o trabalho de arte. Então, você responde diferentemente.
Revista: Com a neuroestética, não corremos o risco de perder o apelo poético da obra de arte com tantas explicações técnicas?
E.KandelNão, as explicações não se repelem, não se substituem. Quando olho a beleza de uma pintura, eu vejo a beleza. Mas, adicionalmente, tenho um pouco mais de conhecimento sobre por que respondo à beleza, quais os caminhos que levaram a isso. Mas minha resposta inicial é a beleza por si.
Revista: No renascimento, Leonardo da Vinci criou o famoso aforismo que diz que “a pintura é uma coisa mental”. Mais tarde, Marcel Duchamp foi um dos artistas que enfatizaram esse conceito. Depois de anos analisando o cérebro humano e recentemente estudando artistas como Klimt, Schiele e Kokoschka, o senhor pode dizer que o sentido de beleza está enraizado no cérebro?
E.KandelTudo está enraizado no cérebro. Quando escuto você e vejo seus comentários inteligentes, isso está enraizado no seu cérebro e no meu cérebro.
Revista: Como o conhecimento sobre o cérebro nos ajuda a entender o processo criativo?
E.KandelTemos uma compreensão muito limitada do processo criativo. Temos que aprender muito sobre o assunto. O que sabemos é: número um, que o processo criativo normalmente vem até a gente em momento de relaxamento. Se você trabalha em um problema, se continua a trabalhar nele, muitas vezes, não tem progresso. Mas, se deixá-lo, sair para caminhar, ir a uma festa, beber uma taça de vinho, tomar um banho, dormir um pouco e despertar, a solução vem até a gente. Tome um banho, suba uma montanha. Nos momentos de relaxamento, enquanto se está trabalhando, “insights” ocorrem. Esse é o número um. O número dois é a velha ideia de que o lado esquerdo do cérebro está ligado à lógica e o lado direito à música, à brincadeira, à criatividade. As pessoas pensam que esse é um ponto de vista muito romântico. Acontece que, embora seja uma tremenda simplificação, há alguma obviedade nisso, pois o lado direito do cérebro é uma área que tende a ser mais recrutada durante os períodos de “insights” e criatividade.
(...)
Adenda 1
Na imagem: capa do livro de Eric Kandel quadro a óleo (Judit I) de Klimt.
Adenda 2
Há dias em que a música de Chopin me é necessária, há dias assim!

O regime já perdeu

Muito bem...

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Há dias com música em fundo...

Image result for Joly Braga Santos(1924-1988):Symphonic Variations on a popular song from the Alentejo,Op.18
Aqui.
Adenda (14/10/2017)
Vou aproveitar para, com a mesma música em fundo, viajar por aqui e por aqui.

Há cem anos o sol bailou ao meio dia em Fátima?

Image result for fátima ilustração portuguesa 13 outubro 1917
"Uma coisa espantosa"! Cem anos depois, vale a pena ler e pensar e estudar.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

... ele há cada pergunta!

Resultado de imagem para A pergunta da Renascença que, em 2011, incomodou José Sócrates
Saber ou não saber ler os sinais (em 2011): ele há cada pergunta!

Cantam-me as veias um poema nunca feito

Tenho
nos meus olhos
a forma do teu corpo

…/…
mergulho em ti e os meus dedos trémulos de querer
são minha obsessão de cego minha condição de ver

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Deixem-se de tretas e falem sério


(Mensagem recebida)
Gostei de reler, meu admirador em todos os dias e ainda em mais um, gostei muito de reler o meu escrito de ontem, e mais ainda por não ter aquela complicação de estar guardado em suporte em “libo” (ui, aquele patusco frade medieval, vida), sabe-se lá as dificuldades que eu teria sem manual de instruções. Adiante. Sei que gosta muito (e sei porquê) da Anne Campbell, outras conversas nossas, em que retive e até compreendi os seus argumentos, mas, adiante, céus, estou a ler agora na sua mente “o gene guicha dela acordou, tu queres ver que ela "vai dar a volta ao texto"? Calma, não se amofine, o que eu penso sobre o diferendo de opiniões - se genes se educação - é simples (relativamente) e integra os dois ses. Vamos lá que o dia me chama. Hoje, céus, vou arrasar de linda de me apresentar; e, que novidade, olhos aos molhos (rimou, ups) vão andar em cima de mim, nada que me surpreenda, vamos lá então, oiça, digo, leia com atenção (rima de uma figa!):
- partindo da premissa darwiniana da evolução, e simplificando, em que o adquirido se útil é transmissível geneticamente, então o modelo - mãe dá à luz alimenta e permanece como cuidadora, logo desenvolve skills (perdoe o estrangeirismo, mas serve e não rima) comunicacionais e relacionais, e patati patátá..., lá vai para a geração seguinte xx ou xy na devida proporção (afinal o pai também teve mãe, mas pobre xy (pobre relativamente, claro, não se sinta intimidado) só tem a dose q.b. desses atributos. Os outros foram-lhe generosamente dados pelo pai nas habilidades para as técnicas de caça, criação de instrumentos (maquinaria sui generis, produto dos tempos). E, vida, o registo mantém-se por tempos largamente desproporcionais aos de reconhecimento que havia mais de inteligência, capacidade e diversidade em ambos, mas sobretudo nas mulheres, o que a historia da humanidade sobejamente espelha. É demasiado recente, e ainda assim surpreendente, para quem tão pouco, durante tanto tempo, teve efectiva liberdade e oportunidade de ensaiar, descobrir, desenvolver e aplicar outras competências. E, sim, os cérebros ainda podem geneticamente exibir diferenças, mas são (ainda assim) contingentes. E, sim, serão transitórias: porque o presente (e espero o futuro) se encarregará de as esbater, graças a politicas que não se queiram justificar em visões parciais (e cegas) às evidencias do que têm sido os resultados de passarmos a ter alma - leia-se mente - (vida, até o inteligente Espinosa agora sorriu do outro lado da quântica que habita!), todos passarmos a poder ir à escola e a tocar piano (o quanto eu gostava de bem saber tocar piano) e a poder até escolher profissões de saber (e de sabor cientifico); e até, imagine-se, que num futuro não longínquo a matemática passe a ser uma língua materna...
Para terminar, meu admirador de mim linda e prendada (e desejada), já vai longa a minha escrita de hoje, remato: deixem-se de tretas e falem sério, seja, as diferenças genéticas são contingentes com um exercício epigenético a tiracolo, e a seu tempo provará que assim é. Claro que os bebés poderão continuar a ter mães cuidadoras e habilitadas e com pais cuja testosterona não os impedirá de um papel muito mais comprometido com esse processo (lá estará o cromossoma x a falar por si (dele). Se as meninas e os meninos (lá num futuro) terão mais ou menos desta hormona, respectivamente? É a sua dúvida em jeito de pergunta curiosa? Talvez, digo eu que raramente, digo, nunca me engano, talvez tenham apenas o suficiente para serem biologicamente reprodutores compatíveis. Acabo, Jesus Maria José, acudam, acabo de tropeçar num divertido pensamento vadio. Ei-lo. Seria interessante (se possível fosse) medir o nível de testosterona de um gladiador de antanho e de um cientista da actualidade ((ambos homens (xy)): céus, raios e coriscos, será que se concluiria que todos os cientistas são efeminados? Há coisas que me tiram do sério, vida minha!
Adenda 1
Pergunta: porque é que o plural de mãe e pai é pais e não mães, o plural de avó e avô é avós e não avôs, o de tia e tio é tios e não tias, o de madrinha e padrinho é padrinhos e não madrinhas, o de irmã e irmão é irmãos e não irmãs? Sabe?
Adenda 2
Rapinei a imagem daqui.
Adenda 3
Lá para o fim do dia, meu caro estonteado admirador do meu saber, lá para o fim do dia, pela tarde mais ou menos solarenga, irei a uma esplanada que eu bem conheço tomar uma abatanado (ups, recordei-me, gosto), usarei açúcar amarelo (Para quê o açúcar? Para adoçar, ora essa); e, mais, vou imaginar que se senta ao meu lado direito e que não se cansará de me observar (com um olhar curioso, furtivo, atrevido) até ao mínimo pormenor. Ah, mais ainda, escolherei uma chávena larga e redondinha, claro que a afagarei com a minha perfeita mão esquerda, enquanto a minha disputada mão direita a segura pela asa e a leva à boca, um gesto muito mim, está a ver o filme, está, pois não está?