quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Não há respostas breves para grandes questões!


(mensagem recebida)
Sei, meu ciumento admirador de mim perfeita e única, sei que ficou de cabeça perdida com o conceito de ressonância desenvolvido pelo Hartmut Rosa. Pois é, tem que ouvir aqui um debate curioso sobre a aceleração do tempo, entendida como a característica especifica da modernidade: desde a invenção da roda até à invenção de telégrafo passando pela máquina a vapor. É como lhe digo, não entenderá o conceito de ressonância se não perceber que foi a aceleração do tempo que deu origem à quádrupla crise da era contemporânea, assim a explicito: ecológica, o consumo de recursos naturais é superior ao tempo da natureza; financeira, os mercados desregularam-se e mandaram a economia real às malvas; política, o tempo da democracia é mais lento que o tempo dos mercados financeiros, da informação e da tecnologia; individual, a psicologia individual não consegue acompanhar a velocidade da mudança social. Adiante... Ponha os olhos na imagem que lhe envio, raio de aceleração, pondere nas linhas que a aceleração desenhou na água, vida, acudam, também os meus desenhos são linhas aceleradas? Santa Maria, pode lá ser, por isso é que eles ressoam a mim? Estou agora, eu que rejeito o que quer que insulte a minha alma ou profane o meu corpo, estou agora, lúcida e serena e silenciosa, em frente das minhas janelas grandes a radiografar a capa do livro do livro de Stephen Hawking; e, como se o tempo serpenteando em música ternamente me acariciasse, dei comigo a suspirar baixinho deambulando pelas ruas de mim: não há respostas breves para grandes questões. Não diga, mesmo? Diz que sou linda, que as minhas mensagens o alimentam diariamente, que nelas sente o odor da terra e da erva na brisa que sopra do campo..., e diz que é meigo o som da minha voz musical? Será que estou a ler bem o seu pensamento? Recorda-se do som da minha voz?! Gosto, gosto e gosto!
Notinha de rodapé
Nossa Senhora Mãe da Vida!!! Que me diz, meu admirador de mim, que me diz disto? E disto?

terça-feira, 16 de outubro de 2018

A ressonância é um conceito objectivo?

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(mensagem recebida)
Há um tempinho já (outra vez a rima, vida), dizia eu que, meu (arreda rima, chega pralá) meu pensador admirador (não, outra vez não) admirador de mim, dizia eu que há um tempinho já que ando para lhe falar de um tal Hartmut Rosa. Então não é que ele quer estabelecer uma nova leitura do mundo através do conceito de ressonância? Imagine só: ressonância horizontal, vertical e diagonal, Santa Maria! Até que concordo com ele. Concordo com ele, quando diz que vivemos, desde 1989, numa era de modernidade tardia (o progresso a tudo o custo é um disparate, é vero). Concordo com ele, quando afirma que vivemos numa era de aceleração rápida. ((Aqui para nós que ninguém nos lê esse tal de Hartmut ainda não entendeu (sei eu lá bem, creio que não) que, quando tudo se torna dispensável, para olhar o mundo o que nos sobra é o nosso corpo, o nosso corpo sim, o nosso corpo é que nos faz mundo e dá sentido ao mundo, adiante)). Concordo com ele, quando garante que a realidade ressoa em nós e nós nela. Tudo bem, seja,  respondo à pergunta que não fez: vivemos numa era de modernidade tardia desde 1989 porque, nessa data, caiu o muro de Berlim (e mais tudo quanto essa queda significa), iniciou-se o desenvolvimento da internet e da digitalização do mundo e até os mercados financeiros se constiparam. Vida, mas não, não era do Hartmut Rosa que hoje lhe queria falar, mas tudo bem chego ao que quero por um outro caminho. Então é assim. Dei comigo a pensar que, inteirinha, sou para si uma metáfora da beleza da natureza (pronto, já cá faltava a cretina da rima). Sei que gosta do pôr do sol, de se deitar na relva, de contemplar o céu estrelado, de sentir o odor da madeira, de escutar o barulho do mar e até do ribombar de um trovão. Lembra-se (se não se lembra envio-lhe um conjunto de textos que escreveu sobre mim) de me dizer que, comigo arrimada a si, os seus cinco sentidos entram em desvario e a percepção do tempo é burilada no jeito de uma experiência estética que o transporta para além do sensível? Recorda-se... Óptimo! Bem me parecia que sim. Sério?! Não me diga! Diz que, quando me olha e escuta e respira, fica com a sensação de que é a beleza que salvará o mundo? Nossa Senhora da Beleza, esse tal de Hartmut Rosa tem razão, toda eu ressoo em si e na sua escrita, eu sou a sua natureza, gosto!
Adenda
Mau, mau, o que é isto tem a ver com o conceito de ressonância? Tem a ver com rosa, tem a certeza? Ups, céus, raios e coriscos, descobri!

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

As linhas ingoldianas: a vida das linhas e a vida nas linhas

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Matisse had a very blob-like way of depicting the human form. His figures are voluminous, rotund and heavily outlined. Yet the magic of the painting is that these anthropomorphic blobs pulse with vitality. They do so because the painting can also be read as an ensemble of lines drawn principally by the arms and legs. Most importantly, these lines are knotted together at the hands, to form a circuit that is perpetually on the point of closure – once the hands of the two figures in the foreground link up – yet that always escapes it. The linking of hands, palm to palm and with fingers bent to form a hook, does not here symbolise a togetherness that is attained by other means. Rather, hands are the means of togetherness. That is, they are the instruments of sociality, which can function in the way they do precisely because of their capacity – quite literally – to interdigitate. For the dancers, caught up in each other’s flexion, the stronger the pull, the tighter the grasp. In their blob-like appearance, Matisse gives us the materiality of the human form; but in their linear entanglement, he gives us the quintessence of their social life. How, then, should the social be described?” 

Texto retirado daqui.

Adenda 1
... a propósito (de Tim Ingold): "Pare, Olhe, Escute!".
Adenda 2
... com memória.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Milagre económico: qual? Outra vez a mesma receita?

Jornal de Negócios
Há dias em que nos demoramos na primeira página de um jornal e ficamos sem saber o que pensar. Acontece, garanto, seja... Olhei a primeira página (acima) de um jornal de hoje, e li, pausadamente: "Valor dos empréstimos supera os níveis anteriores à crise e já é o mais alto desde 2004. Na habitação o cenário é mais benigno, mas práticas do passado estão a regressar."...

Adenda
... vou reler.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Platero e Eu: um livro de poesia escrito em prosa

Platero y yo cumple 100 años con homenajes en todo el mundo
Nós, os seres humanos, somos dois eus, temos duas identidades, somos (não ao mesmo tempo) o eu que vive e o eu que recorda (o eu que intuitivamente experiencia a vida e o eu que pensa a vida e toma decisões): o que  une e separa os dois eus é o tempo, qual tempo?... Bom tema - ouvi-me a pensar - bom mote para hoje reler um livro de poesia escrito em prosa; não sem antes de, em primeiro lugar, ouvir o autor - Juan Ramón Jimenez, prémio Nobel da Literatura (1956) - recorrendo a um documentário que transporta (e actualiza) memórias (sons e imagens e saberes e traços técnicos) do século passado. Pergunta: pode dizer-se que um documentário deste tipo é um "passageiro clandestino na história"? Pode, sim, pode.

Adenda
... com memória.