domingo, 13 de agosto de 2017

Reformas educativas e mais do mesmo

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Porquê revisitar um livro (dos anos sessenta) do século passado? Por duas razões. A primeira, porque vale a pena deambular pela vida e obra de Michel Lobrot. A segunda, porque farto de escrever sobre medidas (ditas) inovadoras no sistema educativo português (aqui e aqui), encontrei nesse livro algo que prova que há anos (muitos anos) é sempre mais do mesmo, desde a segunda metade do século XX até ao primeiro quartel deste século XXI, seja, repete-se a cartilha, que sina, que fado! Ora, leia-se e compare-se:
"Foram sobretudo os métodos que foram renovados (...).
Na óptica da educação “pela vida e para a vida” realidades do meio exterior foram introduzidas nas escolas. O “estudo do meio” deu nova vida à História e à Geografia. Os pedagogos passaram a preocupar-se com a criação de motivações: o jogo recebeu direito de cidade na pedagogia e as actividades começaram a transforma-se frequentemente em jogos (...). Procurou-se a individualização do ensino, graças à qual o ensino se adapta a cada aluno e às suas dificuldades. O movimento que acaba de ser descrito produziu-se no princípio do século (XX). Após a primeira guerra mundial, outros movimentos, oriundos dos mesmos princípios que o precedente, vão mais longe. Propõem-se introduzir "de facto" uma certa não-directividade no ensino, limitada contudo, e a que chamaremos “técnica”, pois que se apresenta como um esforço para repensar inteiramente a relação professor-aluno e o próprio ensino, mas de modo a introduzir melhorias e aumentar a eficácia da aprendizagem (...).
O “método do projecto” introduziu pela primeira vez em pedagogia a iniciativa e a escolha pela criança - não se contentando com a mera solicitação do seu interesse. Aceita (...) que a criança passa ter a iniciativa das suas actividades, tomar decisões, exprimir as suas vontades (...).
A pedagogia que nos é apresentada poderia ser definida como uma pedagogia em que o professor é quase totalmente eliminado, pelo menos na sua função tradicional (...). O livro, máquina de ensinar, etc., é mais eficaz que qualquer intervenção directa do professor, o aluno aprende melhor quando é ele próprio a regular a sua acção e a controlar-se. Estes dois princípios permitem que o aluno se veja colocado numa relação não de passividade face ao docente, mas, pelo contrário, de actividade (...).
Mais palavras, para quê?

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