terça-feira, 1 de agosto de 2017

O mistério do video-tacto criativo

(Mensagem recebida)
Eis mais um desenho meu (rabiscado com as minhas cores), desenho difícil, meu admirador de mim linda e inteligente e saudável, desenho meu muito difícil de interpretar, bela anarquia (ups, anarquia), ainda por aqui ando às voltas na minha memória: onde, quando o terei rabiscado, porquê (vírgulas, pirem-se, chega), já sei. Pimba, céus, sinto agora que é o símbolo das minhas mãos, fascinam-me as minhas mãos, céus, vida (xô, vírgulas), não são mãos, são extremidades de mim com olhos: detectores de sinais, ventosas de cefalópodes, garras de águia, asas de ave. Eureka, fique sabendo: a evolução do cérebro começou nas mãos, são elas que nos ligam ao nosso ser mais primitivo, tudo fazemos com as mãos, tudo continuamos a fazer com as mãos, manipulam o mundo que nos rodeia. Meu admirador, meu admirador, diga lá se não concorda, claro que concorda, o meu desenho bem que também podia ser uma homenagem aos estonteantes momentos criativos de todos os seres humanos pintores, músicos, artesãos, escritores (arreda, rima obstinada, que melga de rifonário!), tecnólogos, cirurgiões e quejandos: entre as suas mãos, os seus olhos e os seus cérebros não há espaço nem tempo, apenas experiência embriagante, inexplicável e não reprodutível. Claro que sim, meu admirador desnorteado com a minha acutilância e sabedoria e beleza, claro que sim, sim, também podia ser uma homenagem aos seres humanos filósofos e poetas e religiosos (os deuses têm mãos?) e cientistas, porque todos os conceitos encerram um núcleo duro: a sua relação com as mãos, todo o pensamento nasce nas mãos, nasce do contacto das mãos com a matéria e com o mundo. Longa já vai esta minha reflexão matinal a propósito de um desenho meu, sou uma janela para o mundo, céus, tanto o meu inconsciente é inteligente (rimou, ups, dá de frosques Carl Jung!), mas não posso terminar sem um arroubo filosófico com as mãos aprumadas ao céu, seja ele: duvido que eu existisse se não pudesse tocar-me, palpar-me com as minhas mãos maneirinhas, espelho meu, espelho meu... Não, céus, vida, capto agora mensagens entre as nossas duas mentes felinas, dizem, entre sorrisos e hãhãhãs divertidos, que tomar consciência de uma e de outra passa sempre pelo mistério do tacto no corpo, o quê, céus, estou a gaguejar, como é que é, dizem que as mãos até o corpo põem a funcionar, não, calma, shiu, corre um vento manso bem soante, vou ouvir calada, belisco-me e recuso, não vou escrever o que ouvi, adiante; dizem mais, dizem agora que (também) pensar é sentir, fosga-se (saiu-me, desculpe), que mentes guichas com excessos de supravisão quotidiana, tanto quanto eu, óbvio, quase!

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