segunda-feira, 5 de junho de 2017

Uma nova definição do tempo

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Grande novidade, grande novidade, olha a novidade, claro que o cérebro é capaz de antecipar o futuro, há tempo que eu sei que assim é! Como é que sei que assim é? Vida minha, então não se vê a vista desarmada que eu sou o exemplo vivo da percepção dinâmica? De cabelo apanhado e olhos bugalhados em riste, assim me apareceu, com uma exclamação e duas perguntas a tiracolo, a única fada que nem nas calendas gregas deixará de se movimentar no labirinto entre aquilo que somos e aquilo que mais desejamos. Perguntei: por acaso pensa que eu consigo - sem mais dados - saber do que está a falar? Claro que comigo, meu admirador de mim todos os dias, comigo pertinho de si conseguirá saber tudo, respondeu, tudo. Eu percebi o trocadilho (consigo/comigo) no seu sorrisinho maroto (de hã, hã, hã), e não me dei por achado; adiante, limitei-me a dizer. Seja, retorquiu, e: sabe que eu sou dedalista, sabe, pois não sabe? É o quê? É dedalista? Questionei. Vida, suspirou enquanto desfazia a franja, eu sou uma seguidora de Dédalo: construo jogos, tento resolver enigmas, encontro soluções para os problemas mais complexos, vivo (incorporada) na minha percepção dinâmica. Já chega, encabrestei-me, hoje é só charadas e labirintos, por favor, vá directa ao assunto que aqui a traz. Ui, suspirou, que sensível, vamos lá, depressinha que se faz tarde, pretendo deixar-lhe - para com vagar conversarmos num alfoz em fim de dia solarengo - , pretendo deixar-lhe uma nova definição do tempo, esta: é o tempo que impede que as coisas aconteçam de uma só vez, o tempo impede que tudo seja revelado de rompante, seja, mostra as coisas aos poucos, em labirintos e em brincadeiras o tempo faz com que a vida seja mais erótica e menos pornográfica. Estonteado, ainda eu vasculhava pensamentos e sensações no meu baú de memórias, e já ela se despedia com um até loooogo a encimar um sorriso divertido.

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