Não quero crer...

Diga-me, diga-me. meu caro, diga-me com toda a sinceridade... Acha bem que uns cientistas chineses me tenham pedido (neurocientistas da China, quem sonharia!) para eu me pronunciar sobre este trabalho de investigação, onde eles tentam provar que descobriram a "música" da actividade neuronal de uma mulher de 31 anos e de uma menina de 14 anos? Porquê sempre eu? Porquê? Diga-me porquê! Porquê?... Olhei o ar displicente com que a única fada (que acorda todos os dias na véspera, sublinhe-se) tomava café; e não só estranhei o seu empoeirar (destrambelhado) com canela um frágil pastel de nata amulatado quanto desconfiei do seu invectivar-me com dedo hipatiano em riste... Vou brilhar desta vez, ruminei; e assim respondi aos seus porquês: de facto, essa "música" de que eles falam, já foi objecto de divulgação; mas, cá para mim, a razão que motivou os neurocientistas chineses a provocar a sua opinião é muito simples, mesmo muito simples. Muito simples, mesmo muito simples! Olha-me este! Já a formiga tem catarro! Já entornei toda a canela, oh vida a minha! Exclamou a desfranjar-se e a questionar-me de novo: diga lá, vá, diga lá porque é que é assim tão simples. Arrisquei explicar-me devagarinho, assim pontuando as palavras: o ano chinês de 2015 irá começar no mês de Fevereiro; e, pense bem, somando 31 e 14 obtém-se 45; lindíssima soma, verdade que é, pois não é?... Riu-se e sorriu-se, percebi que me entendeu mas, armando-se em sábia-guicha de saber em terra firme, trauteou, em si "sustenida": para mim, a sua explicação atrapalhada é chinês amandarinado, mas que é música para os meus ouvidos lá isso é! Tu queres ver, pensei de mim para comigo, tu queres ver que ela também percebe em "música" a minha afectiva actividade neuronal, mas, descarada, ostensiva e intencionalmente, opta (que raiva!) por lhe chamar "chinês amandarinado"? Não quero crer...
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