Nelson Mandela: um longo caminho para a liberdade


(…) Um dia George Mbekela foi visitar a minha mãe. - O teu rapaz é esperto, disse ele. - Devia frequentar a escola. A minha mãe não respondeu. Na família nunca ninguém tinha ido à escola e ela não estava preparada para a sugestão de Mbekela. Mas falou no assunto ao meu pai, o qual, apesar da sua falta de educação formal – ou talvez por causa dela –, resolveu de imediato que o filho devia frequentar a escola. Esta era um edifício composto por uma única sala, com um telhado à maneira ocidental, que ficava do outro lado da colina, em relação a Qunu.
Eu tinha sete anos e no dia anterior ao começo das aulas o meu pai puxou‑me à parte e disse que eu tinha de ir decentemente vestido para a escola. Até então, e à semelhança de todos os garotos de Qunu, sempre tinha usado uma manta enrolada à volta do ombro e apertada na cintura. O meu pai pegou num par de calças suas e cortou ‑as por altura do joelho. Mandou-me que as vestisse e o comprimento estava mais ou menos bom; o pior era a cintura demasiado larga. O meu pai pegou então num cordel e cingiu-me as calças. A minha figura devia dar vontade de rir, mas nunca tive um fato que me orgulhasse mais de vestir do que aquelas calças cortadas pelo meu pai.
No primeiro dia de aulas, a professora, a menina Mdingane, atribuiu a cada um de nós um nome cristão e disse que daí em diante seria por esse nome que teríamos de responder sempre que estivéssemos na escola (...). A educação que recebi foi à maneira inglesa e tanto as ideias como a cultura e as instituições britânicas eram naturalmente consideradas superiores. A cultura africana era uma coisa que não existia." (…)

 In Um longo caminho para a liberdade. Planeta, 2012

Comentários

  1. Tinha escrito um comentário mas ao publicar desapareceu.

    Possivelmente escrevi uma grande estupidez mas não deixo de a continuar perfilhar e por isso vou ficar com ela para mim.

    Abraço

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