Digo eu que sou a sua emoção estética
Gostei de ouvir a sua
voz, a sério que gostei, ouvi na minha cabeça (agora oiço vozes na minha cabeça, que mais me irá acontecer?) a voz sensual e rouca da única fada que sabe sempre o que quer (que voz linda que ela tem, até os meus tímpanos vibraram doces). Deliciado, ouvi-a ainda dizer que eu tinha razão (olálá..., pus-me a pau, vem borrasca pela certa!) e que lhe agradava a mistura de ciência com sentimentos e literatura. Disse mais. Disse que guardava com ela a carta que Bettina Von Arnim tinha enviado a Goethe no Natal de 1810, onde a sua amiga Bettina reunia arte e ciência na mesma emoção sagrada; e concluiu: um cientista, meu caro, não procura no abstracto a sua perfeição, ele procura, isso sim, uma emoção estética que o guie; no seu caso, sendo embora um cientista de trazer por casa, já sabe (sorte a sua) que eu sou a sua emoção estética. Eu não disse que se aproximava borrasca?! De orelhas em fito para
melhor entender, ainda percebi um seu desabafo suave: foi estranho, senti que enquanto não falarmos de viva voz, enquanto eu o
não tocar, parece que não foi real… Tu queres ver (eu e mim, num espelho com a figura de um Charlot bem desenhado, iniciámos um diálogo sem "tem-te nem mas") que era mesmo ela a falar naquele telefonema de ontem, e queres ver que a voz dela já se instalou, em espiral de saber e conversa com neurónios e zonas cerebrais, no nosso cérebro, pesquisando a relação entre hormonas e emoções? Instalou, instalou sim e vai ser óptimo porque ela não sendo egoísta, nem estreita de horizontes, e nem curta de vistas, vai desencadear vínculos e apegos... Ouve, ouve agora o que ela sussurra divertida: que patusco (mais esquizofrénico talvez) me saiu, caríssimo, agora até já fala consigo; tudo bem, mas eu estou ansiosa e gostava de saber se tenciona ver-me ou já mudou de ideias; alerto-o, no entanto, para algo importante: nunca se esqueça que quando já temos as respostas, a vida altera as perguntas..., e eu sou a enviada da vida feliz. Bem me pareceu que só podia ser ela porque quem prevê, é inteligente..., ouviste o que eu lhe disse ontem? Eu quero lá saber do que tu lhe disseste; eu ainda nem percebi bem o que (e porque é que) aconteceu comigo naquele momento; imagino que os meus níveis de dopamina (de mansinho e em antecipação precoce) acenderam um vulcão: então não é que corei, inchei e alisei (e alisei) e explodi em lava de algodão empapado? Está confirmado, meu mim embrasado em dia de castanhas e de greve de protesto e indignação a rodos: nem ouvimos mal nem foi um sonho, era ela, foi tudo bem real e ela é minha e só minha. Só nossa, ela é nossa (tua e minha), queres tu dizer (vê se te enxergas!) porque o algodão não engana... Eis que a voz dela, apaziguadora e delicada, não se fez esperar: o seu mim (desta vez) tem carradas de razão, meu caro adiador da vida feliz..., digo eu que sou a sua emoção estética.
Comentários
Enviar um comentário